VI – O Desenvolvimento Local e o Capital Social.
Para concluir, voltando ao tema central do presente texto, vale à pena refletir sobre o que expusemos até aqui, sua relação com a questão da pobreza, e sobre a responsabilidade pública de enfrentá-la.
Sob a ótica do Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável – DELIS* como instrumento que se apóia no capital social para articular o desenvolvimento humano e social em áreas de baixa renda, a questão central é assegurar que, mesmo num mundo globalizado, as ações articuladas conjuntamente, desenvolvidas em comunidades pobres podem ter impacto considerável sobre a vida das pessoas. Tais ações, empreendidas em várias comunidades, podem ter um impacto considerável no desenvolvimento do Estado. Assim, mais importante do que o efeito no crescimento do PIB estadual será o efeito da retenção do PIB na comunidade, agregando valor às atividades, vocações e oportunidades novas que venham a surgir ao longo do processo de desenvolvimento local.
Augusto de Franco, um árduo defensor do DELIS, sugere que quem quiser investigar o impacto das ações comunitárias sobre o processo de desenvolvimento social descobrirá que o problema do desenvolvimento é, essencialmente, um problema de poder e de política. E que pequenas ações comunitárias terão impacto ponderável sobre o desenvolvimento enquanto introduzam novos padrões (horizontais) de organização e novos modos (democráticos) de regulação e participação. “Mas quem quiser fazer isso deverá… partir de teorias da complexidade, de teorias do capital social e de outras teorias correlatas que tentam explicar e entender os fenômenos da cooperação, das redes e da democracia, os quais, juntamente com o empreendedorismo, constituem os “aminoácidos” de uma nova concepção de desenvolvimento que, em si mesma, já significa superação da pobreza: o desenvolvimento humano e social sustentável”.
Em síntese, o DELIS recorre à teoria do capital social**, e das evidências já comprovadas de seu papel na solução de problemas do subdesenvolvimento, especialmente em comunidades tradicionais pobres.
Em síntese, o DELIS privilegia o “local”, uma comunidade, um distrito, um município e articula com o poder local (autoridades públicas constituídas e o capital social (associação, igreja, clube sindicato, lideranças da comunidade etc.) a elaboração de um diagnóstico participativo para conhecer a realidade local, identificar seus problemas e descobrir suas vocações e potencialidades. Elabora-se um plano de trabalho de forma integrada e participativa, se definido conjuntamente uma agenda de prioridades. Com essa agenda, buscam-se parcerias com o Município, o Estado e a União para viabilizar os recursos e outros meios necessários à implementação das ações concertadas com a comunidade local. Essencialmente, recursos financeiros, capacitação finalística aos técnicos, produtores e empreendedores, e reuniões periódicas e participativas de avaliação, auscultando sempre os protagonistas do processo que são os membros da comunidade, promovendo ajustamentos aos processos de transformação econômica e social, quando necessários.
Por fim, quando várias comunidades se inserem na estratégia de desenvolvimento local, cria-se em âmbito municipal um fórum ou conselho que tem como função básica, consolidar os projetos comunitários de desenvolvimento, articular as estratégias de negociação para assegurar recursos e meios de apoio a esses projetos, promover a integração e participação de todos os atores públicos e da sociedade civil no processo de desenvolvimento das comunidades.
Estas estratégias de envolvimento do capital social e de focar as comunidades como o lócus de implantação tem sido comum em vários países e vem sendo adotadas em projetos financiados com instituições de fomento e desenvolvimento, com origem em organizações estatais, financiamentos internacionais e organizações sociais sem fins lucrativos.
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* Sobre o DELIS, há várias referências que podem ser consultadas, dentre as quais cito
http;//monografias.com/pobreza-desenvolvimento-local-exclusão-social/pobreza.
** Sobre capital social, recomendaria o livro da Professora Maria Celina d’Araujo, conforme segue: ARAUJO, Maria Celina D’. Capital Social. Rio de Janeiro:Jorge Zahar Editor, 2003.
Wolmar Loss
Engenheiro Agrônomo, Mestre em economia rural e desenvolvimento econômico
Leia também:
ARTIGO – Capital Social, Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (parte I)
ARTIGO – Capital Social, Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (parte II)
ARTIGO – Capital Social, Desenvolvimento Local e Combate à Pobreza (parte III)

