ARTIGO – Preços determinarão dinâmica do agronegócio em 2011

por admin_ideale

 


Os analistas vêm apontando que em 2011 teremos um ano atípico para o agronegócio, com tendência de elevação dos preços para a maioria dos produtos. Excesso de chuvas, como na Austrália, atrasos no período chuvoso e pouca precipitação, como no Sul do Brasil, seca no Centro-oeste, no Sertão e Semi-árido Nordestinos, impactando a safra passada, enfim as tradicionais anormalidades climáticas vêm influenciando o desempenho da agricultura e da pecuária, desde o ano anterior.


 


Os preços agropecuários começaram a reagir no segundo semestre do ano passado, indicando movimentos de alta que não serão inibidos com a produção da nova safra, simplesmente porque, na melhor das hipóteses, se repetirá os níveis de produção da safra anterior, com indicadores preliminares e expectativas de que a safa de grãos seja 2% a 3% menor.


 


Para o Espírito Santo, algumas sinalizações dessas expectativas são relevantes, em virtude da composição do produto agrícola regional. As evidências mais favoráveis são as seguintes:


 


(a) Teremos uma safra mediana para o café conilon, pelos desestímulos de preços dominantes e uma colheita menor para o arábica, em função de preços baixos e da bianualidade. As reações de preços que se verificaram a partir de outubro do ano passado não foram apropriadas pela maioria dos produtores que venderam antes sua safra. A tendência, portanto, é a de que continua o avanço nos preços reais, até mesmo porque se espera que o Governo Federal tome medidas para equacionar a contínua sobrevalorização do câmbio.


 


(b) Para a pecuária de corte, os preços reagiram a partir do segundo semestre de 2010, pela escassez de animais prontos para o abate e crescimento da demanda, tanto interna quanto externa. A oferta de animais gordos tende a reagir em 2011, mas é bom lembrar que, além das anormalidades climáticas de 2010 no Centro-oeste, vimos de um período relativamente longo (mais de 2 anos) de baixo retorno na atividade, o que desestimulou os investimentos em renovação e ampliação dos plantéis e sugere a manutenção de preços remuneradores em 2011.


 


(c) Na produção de leite e derivados, o cenário se desenha menos favorável, mas com alguma recuperação nominal nos preços e mais equilíbrio do que o verificado no ano passado. A guerra fiscal, a concentração do mercado na indústria e as importações continuam a acirrar a competição, o que sempre acaba influenciando nos preços do leite. Particularmente, julgo que será um ano decisivo para o setor leiteiro capixaba definir suas estratégias para o futuro. Ou as cooperativas e laticínios privados se movimentam rumo à integração e parceria, pressionado o Estado para equacionar o grave problema tributário, ou as relações de troca serão cada vez menos favoráveis aos produtores, inibindo investimentos em tecnologias para ganhos de produtividade e eficiência. Há evidentes sinais de que o Espírito Santo já é deficitário em 20% na produção de leite-equivalente, comparativamente à demanda interna.


 


(d) Na silvicultura, o problema dos preços da madeira (leia-se eucalipto), está diretamente dependente do preço da celulose no mercado externo. Embora reagindo depois da crise de 2008, o mercado em 2011 tende ao equilíbrio, o que significa preços estáveis para o produtor de madeira do programa fomento florestal, os quais balizarão os preços de toras para uso em outros fins, como na construção civil, construções rurais, caixotaria e pallets.


 


(e) Na seringueira, o preço do petróleo em elevação e a demanda crescente de pneumáticos, principalmente, determinam a continuidade para os bons preços do látex para 2011. Seguramente, para a maioria dos ambientes rurais capixabas, esta atividade deve merecer atenção especial dos governos, em vista de sua importante relação com a proteção do solo e infiltração de água para alimentar os mananciais.


 


(f) A fruticultura continua mais promessa do que resultado efetivo, em termos de abrangência. Se comparados os dados do IBGE e dos PEDEAG’s, evoluímos muito pouco em área e produção, face aos recursos despendidos nos pólos de frutas. De qualquer forma, as evidências continuam promissoras para o segmento em 2011, registrando-se tendência de melhoria relativa de preços no mercado interno. A agricultura familiar está encarando a fruticultura como um negócio: Produz para a indústria, mas não se vincula exclusivamente ao comprador, reservando parte da produção para processos agroindustriais artesanais e para comercialização “in natura”. Não seria diferente, a agricultura familiar nunca apostou numa vinculação dependente.


 


Embora os sinais do mercado sejam favoráveis para a maioria dos produtos agropecuários em 2011, a situação para os produtos capixabas dominantemente voltados para o mercado interno é mais promissora, exceto para o café cuja demanda externa determina preços.


 


Tudo indica que em 2011 haverá continuidade na recuperação dos preços no agronegócio, mas já vem as críticas dos efeitos dos preços dos alimentos sobre a inflação. Esquecem que, desde o Plano Real, a produção agrícola segurou a inflação e foi determinante no superávit da balança comercial.


 


 Mas nunca devemos esquecer: câmbio, juros, infraestrutura – estradas, portos e armazéns e fragilidades nas políticas de sustentação de preços – são nossas assombrações, gerando graves dificuldades e perdas na época da safra. Esperemos que os Governos comecem a remover esses obstáculos, porque não podemos ficar por mais tempo à mercê da sorte. E os consumidores não podem ser prejudicados, pagando o custo da especulação sobre os preços dos alimentos.


 


 


 


                                                                                                              Wolmar Loss


Engenheiro Agrônomo. Mestre em Economia Rural


 e Desenvolvimento Econômico

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