Os produtores do Triângulo Mineiro têm duas grandes bacias hidrográficas. A área agrícola de Uberaba é de 250 mil hectares, mas em apenas seis mil foi possível implantar o sistema de irrigação. Entre as dificuldades para que a área irrigada seja maior, está a questão burocrática. Outro problema é o aumento do custo.
A legislação sobre o uso das águas vai aos poucos regulamentando a cobrança de tarifas na produção agrícola irrigada. Na região de Uberaba, o processo começou este ano pela Bacia do rio Paranaíba.
– Este valor de taxa varia por segmento. Para uso humano é um percentual, para uso agrícola é outro percentual. Mas o bom da cobrança é que não se trata de imposto. Os recursos são captados por uma agência em cada bacia. 97,5% do que for arrecadado retorna em projetos ambientais para a própria bacia hidrográfica – explica o diretor de recursos ambientais da Secretaria Municipal Uberaba, José Sidney da Silva.
No segundo dia do Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem, que ocorre até esta quarta, dia 8, em Uberaba (MG), os participantes tiveram um dia de campo em propriedades da região. Estudantes, produtores e técnicos conheceram a realidade de quem venceu a burocracia e está investindo. Tem agricultor que depois de 18 anos produzindo no sequeiro, faz planos para escapar da seca.
– A própria necessidade de tempo e temperatura, há a necessidade de se ter irrigação. Eu espero uma produção maior e qualidade de fruta melhor – diz o produtor rural Armando Martiensen.
A meta do governo é modernizar os sistemas públicos de irrigação nos locais onde a burocracia já foi vencida.
– O trabalho seria exatamente implantar equipamentos modernos de primeira geração mesmo, com sistemas automatizados que vão permitir irrigar no período de tarifa de energia reduzida das 21h30min às 6h. Uma economia de 80% no consumo de energia elétrica, nesse período. O produtor vai ficar com sobra de tempo para executar outras atividades – conta o coordenador de irrigação do Estado Minas Gerais, Antonio Martinez de Carvalho.
Os técnicos que liberam o uso da água para produção agrícola enfrentam a falta de informações atualizadas sobre a disponibilidade e capacidade de recursos hídricos. Os números usados nos levantamentos são os mesmos há mais de duas décadas.
– Na época que foi feita esta leitura não tinham equipamentos que tem hoje. Esta leitura está abaixo da realidade de cada afluente. O governo tem que fazer um novo levantamento de volume de água para ver qual a disponibilidade real de água para irrigação – afirma o extensionista da Emater/MG, Tomaz Chiatti.
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