A saca do café vencedor do 7º Concurso de Qualidade de Cafés Especiais de Minas Gerais foi comercializada por R$ 8,1 mil. O valor é recorde na história da competição e o maior alcançado neste ano em concursos de café no país. O preço de mercado de uma saca de café atualmente está em torno de R$ 350. O café campeão estadual foi vendido em leilão após divulgação do resultado do concurso promovido pela Secretaria de Agricultura de Minas Gerais – por meio da Emater-MG – e Universidade Federal de Lavras (Ufla). A cerimônia de premiação e o leilão dos lotes finalistas foram realizados nesta quinta-feira (25), no Salão de Convenções da universidade.
“É fundamental agregar valor ao café e ter um produto de qualidade. No ano passado participei do concurso e fiquei em segundo lugar. Somente com este tipo de trabalho é possível enfrentar o mercado. Mas é preciso muita dedicação, muito suor”, disse o produtor após o resultado no concurso.
“A região de Carmo de Minas é excelente e este café é excepcional. Tive a oportunidade de provar e ele é o melhor do país. Vou utilizá-lo em cursos que promovemos em Belo Horizonte para que os alunos possam conhecer o que é um café de excelente qualidade”, disse o empresário.
Além da saca comercializada por R$ 8,1 mil, o produtor também vendeu um lote de nove sacas, do mesmo café, para a torrefadora Café Rancho São Gabriel. Cada saca foi adquirida pela torrefadora por R$ 1,5 mil.
Outro campeão do concurso foi o produtor Efraim Botrel Alves, do município de Ilicínea, no sul do Estado. Ele foi o campeão estadual da categoria “natural”, com 89,9 pontos e vendeu um lote de 9 sacas, cada uma por por R$ 900, além um outra saca isolada (microlote) por R$ 4 mil.
“É um esforço de muitos anos. Há dez anos resolvi investir em cafés especiais. O reconhecimento nos concursos é uma boa forma de atrair compradores internacionais. Hoje eu já exporto o café que produzo”, disse o produtor.
Concurso e leilão
O 7º Concurso de Qualidade de Cafés Especiais de Minas Gerais contou com 974 amostras inscritas de todas as regiões produtoras do Estado. Todas as amostram passaram por análises físicas e sensoriais (aroma e sabor) realizadas por provadores de Minas e outros estados. O processo de seleção foi realizado entre os meses de setembro e outubro por uma comissão julgadora formada por doutores em café de qualidade. Só passaram para a etapa final as 49 amostras de cafés que tiveram o mínimo de 80 pontos.
Além dos campeões estaduais nas categorias “natural” e “cereja descascado”, foram anunciados 18 vencedores, sendo seis de cada uma das principais regiões produtoras (Sul, Cerrado e Matas de Minas), sempre nas duas categorias. A divisão por regiões tem o objetivo promover o café de cada uma delas, respeitando e valorizando as características de cada local.
Uma novidade do leilão deste ano foi a redução dos lotes apresentados, que passou de 30 sacas exigidas nos concursos anteriores para somente 10 sacas. “É uma estratégia para valorizar ainda mais os melhores cafés, atraindo mais compradores, e para permitir a participação de agricultores familiares, que têm uma produção menor”, afirmou o coordenador do concurso, Marcos Fabri Junior, da Emater-MG. Ele explica que os cafés adquiridos em leilões são oferecidos ao mercado para reforçar o marketing das indústrias e cafeterias junto a um público específico, ou nicho de mercado, e por isso não é vantajoso ter grandes quantidades.
Revista Cafeicultura

