ARTIGO – Releitura da queda na produção de carvão vegetal no Brasil

por admin_ideale

 


O site Campo Vivo reproduziu uma notícia da Folha de São Paulo que me deixou intrigado. Falava da redução de 19% na produção nacional de carvão vegetal, decorrência de um esforço articulado do Ministério Público e das siderúrgicas. Apenas uma informação muito sucinta do IBGE informava que a redução se concentrou em Minas Gerais e no Maranhão, em vista da menor procura pelo produto nas siderúrgicas.


 


Alguns adendos devem ser feitos à informação:


 


a)    O ano de 2009 não é referência para análise do mercado do carvão vegetal para a siderurgia. A crise econômica mundial levou a uma redução drástica nos preços de commodities, aí incluídos o ferro gusa e o aço;


b)    O crescimento da demanda brasileira de carvão vegetal do setor siderúrgico foi retomado em 2010 e certamente a produção de carvão vegetal vai aumentar, retornando aos níveis de 2007/2008, de 18 milhões de mdc;


c)    De todo o carvão vegetal produzido, 48% tem origem na extração de madeiras de florestas nativas, deslocadas principalmente para o Centro-oeste e Norte-Nordeste.


d)    Estudos realizados pela Associação Mineira de Siderurgia – AMS, considerando os principais pólos siderúrgicos do País, mostram que teremos um apagão florestal e mesmo considerando o atendimento de 20% da demanda do pólo do maranhão com florestas nativas, é necessário um crescimento de área de florestas plantadas de 600.000 ha se quisermos reduzir a pressão da siderurgia sobre as florestas nativas.


e)    No Espírito Santo, dados da mesma AMS informam que a demanda de carvão, que girava em torno de 1.400.000 mdc, caiu em 2009 para 850.000 mdc e espera-se seu retorno para o nível anterior, além de um acréscimo de 400.000 mdc, já em 2010, por expansão industrial. Produzimos apenas 336.000 mdc, o que representa muito pouco para a indústria siderúrgica capixaba, considerando que boa parte deste carvão é destinada ao consumo doméstico (o tradicional churrasco com familiares e amigos) e às churrascarias.


 


A notícia, portanto, não pode ser um alento pela redução do consumo de carvão nas siderúrgicas, dado o ano atípico em que as estatísticas foram coletadas. Seria muito melhor se ela trouxesse informações sobre os avanços nos desafios de reduzir a dependência do carvão vegetal oriundo de florestas nativas e mostrasse as metas de plantios florestais para evitar o apagão florestal.   


 


 


 


                                                   Wolmar Loss


                                                            Engº Agrº Ms em Economia Rural


                                                          e Desenvolvimento Econômico

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