Um ano se passou e as ameaças de produtores rurais aos profissionais do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) continuam. A médica veterinária e chefe do escritório do Idaf em Linhares, Silvania Gaburo, que na segunda edição da Revista Campo Vivo (junho/2009) falou sobre o assunto, diz que o desabafo da época e exposição sobre os casos não foram suficientes para amenizar as ameaças feitas pelos produtores. Segundo ela, alguns produtores que não aceitam instruções, nem notificações por estarem agindo incorretamente, continuam ameaçando ela e outros colegas do Instituto.
O trabalho de fiscalização desempenhado pelo órgão incomoda alguns produtores e acaba motivando as ameaças. “Quando eu e outros profissionais do Idaf vamos a alguma propriedade e vemos algo de errado no local, fora do que determina a lei, temos que instruir os produtores. Por exemplo, o caso de produtores que não tratam o gado de forma correta, vacinando e matando o animal de qualquer jeito, sem os cuidados sanitários exigidos. Quando flagramos essas atitudes procuramos orientá-los para que eles façam tudo da forma correta. Se ele não agir, temos que notificar. Com isso, alguns produtores ficam com raiva e nos ameaçam”, relata Silvania, que recebe várias ameaças por telefone e cartas.
Com a continuidade dos telefonemas ameaçadores e as cartas recebidas, com frases do tipo “os fazendeiros estão a sua mira”, “é melhor você pedir transferência para bem longe”, “estou à disposição deles”, Silvania revela que chegou a fazer boletim de ocorrência na Polícia Militar e que, muitas vezes, teve que visitar algumas propriedades acompanhadas de policiais, quando percebeu que poderia acontecer algo negativo no local.
A veterinária lamenta que ainda tenha que conviver com esses casos, apesar de só estar realizando seu trabalho. “Nós só estamos fazendo o nosso trabalho. As ações do Idaf existem para resguardar a saúde do ser humano. Já pensou se o produtor não cuidar do gado direito, não prevenir o animal de doenças, e no abatedouro realizar os procedimentos sem nenhuma higiene? Se ele não seguir as exigências do Instituto, como fica a saúde da população e até mesmo do próprio produtor?”, questiona.
Ciente do serviço que está prestando a sociedade, Silvania não se intimida com as ameaças. “Vou continuar trabalhando. Não tenho medo. As ameaças só fortalecem o serviço. Gostaria apenas que os produtores não vissem o nosso trabalho como algo ruim ou como se estivéssemos querendo prejudicá-lo. Estamos aqui para ajudar eles. Estamos apenas fazendo o nosso trabalho, seguindo a legislação. Gostaria muito que eles respeitassem isso e que tivessem consciência que estamos procurando melhoria para a qualidade de vida deles e também para benefício do meio ambiente”, diz.
Questionado sobre os casos de ameaças sofridas pelos servidores do Idaf, o diretor presidente do instituto, Aladim Fernando Cerqueira, disse que elas são raras, pois na maioria das vezes os fiscalizados aceitam a abordagem, buscam a informação e querem estar de acordo com a lei. Cerqueira diz que, caso a abordagem educativa não consiga resultados positivos e as ameaças ocorram, dificultando o exercício da função pela intransigência do fiscalizado, o profissional deve buscar apoio policial. “A polícia, principalmente a ambiental, é parceira do órgão e acompanha as ações consideradas mais complicadas”, afirma.
Revista Campo Vivo
matéria publicada na edição 06

