Uma nova variedade do mamão formosa está sendo pesquisada no Estado do Espírito Santo por especialistas do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) de Linhares. O fruto em análise faz parte de um programa de melhoramento do novo genótipo e pretende atender pequenos, médios e grandes produtores.
Segundo o responsável pela pesquisa, o agrônomo, pesquisador do Incaper e especialista em Produção Vegetal – Fruticultura Tropical, Laércio Francisco Cattaneo, o intuito é criar um fruto que seja bom para comercialização e proporcione mais facilidade ao agricultor. “Um diferencial que queremos trabalhar nesta variedade é a possibilidade de reaproveitamento da semente para plantação, sem precisar comprar”, destaca o agrônomo.
Caso isso aconteça, o produtor vai economizar no plantio do fruto, já que poderá fazer a sua própria semente. Atualmente, os produtores compram o quilo de sementes híbridas para o cultivo do mamão por cerca de seis mil reais.
A variedade pesquisada, é que é originária de uma população segregante, foi obtida do cruzamento de cultivares do grupo formosa e já está em estudo há 10 anos.
Nesse período de trabalho os pesquisadores testaram 60 genótipos, destes 10 obtiveram os melhores resultados. A atual variedade em análise, originária de flores hermafroditas, que dão origem aos frutos comerciais, possui um aspecto robusto, por causa do grupo de origem. Além disso, possui fibras mais firmes, o que ocasiona uma casca mais endurecida e evita que o fruto sofra um desgaste maior durante o transporte. Como o mercado externo é bastante rigoroso com a qualidade e a beleza do produto, este é um fator positivo da nova variedade pesquisada.
Outro diferencial observado no novo fruto é o sabor, mais adocicado que as outras variedades existentes do grupo formosa. Já a polpa do fruto tem uma tonalidade mais clara. “Esta variedade também não apresentou aquele “cheiro forte” característico do mamão”, diz Cattaneo.
A nova variedade não tem data prevista para ser lançada no mercado. Os pesquisadores ainda observam muitos fatores antes do mamão poder ser comercializado, como adaptabilidade em todo Espírito Santo, boa aparência e tendência a boa produtividade e qualidade. De acordo com o agrônomo, “as pesquisas indicam que tem tudo para ser um mamão de boa comercialização e aparência”.
Para o proprietário de uma empresa do ramo de produção e exportação de mamão, a UGBP Agrícola, em Linhares, Rodrigo Pontini Martins, se a pesquisa conseguir êxito, o lançamento dessa nova variedade será positivo para o mercado interno e externo. “A exportação do mamão formosa está perdendo espaço para outras regiões do Brasil, como Bahia e Rio Grande do Norte. Essa variedade vai agregar mais valor ao comércio local, com um produto melhor não só para exportação como para também para o mercado interno. Além disso, vai ajudar o produtor que terá um fruto mais resistente na lavoura”, afirma.
A nova variedade do mamão formosa está sendo testada em vários municípios do Espírito Santo, como Presidente Kennedy, Itaguaçu, Pinheiros, Sooretama Linhares e na localidade de Pacotuba, em Cachoeiro de Itapemirim.
Revista Campo Vivo
reportagem publicada na edição 02

