De olho em um consumidor cada vez mais exigente e na proliferação das maquinas de espresso domésticas entre a classe média, o Brasil pretende marcar presença no segmento de cafés finos. A verba que o Ministério da Agricultura destina para divulgação do café “made in Brazil” vem crescendo ano a ano. Foi de R$ 800 mil no ano passado e de R$ 1,5 milhão em 2010. Para 2011, a Agricultura orçou R$ 10 milhões e, mesmo após o corte da Fazenda, conseguiu assegurar R$ 5 milhões. “Queremos uma presença maior no exterior”, disse o diretor do Departamento de café do Ministério da Agricultura, Robério Silva. A estratégia, de acordo com ele, não é apenas salientar que o Brasil é o maior produtor e exportador de café mundial, mas mostrar que há uma gama diversificada do produto, com ênfase nos cafés de alta qualidade.
Não há dúvidas, de acordo com Braga, de que a tendência é de crescimento das vendas, principalmente dos cafés chamados “especiais”, que possuem maior valor agregado. “O consumidor está mais exigente, e também disposto a pagar um pouco mais pelo produto de boa qualidade.” O diretor do Cecafé estimou que as vendas dos cafés finos ou de melhor qualidade representem de 15% a 20% das exportações totais. Apesar da fatia ainda ser pequena, salientou, é considerável tendo em vista que há 10 anos o Brasil praticamente não vendia esse tipo de produto no exterior.
Como a agência não trabalha com commodities, o foco da atuação no caso dos cafés é o produto de maior qualidade, premium e especiais. O lado bom de trabalhar com o café, segundo Leal, é a aceitação do produto no exterior. “Os importadores brigam a tapa pelo café brasileiro”, exagera. Mesmo assim, de acordo com ele, ações de marketing são necessárias porque a maior parte das vendas nacionais ainda é do café tipo robusta, o que apresenta menor qualidade. Por isso, não há segredo, explica o coordenador da Apex: “Quem quer vender tem de estar lá fora. É preciso mostrar a qualidade do produto”, considerou. Até porque muitas vezes, disse Leal, o importador tem mais interesse na “história do produto” do que necessariamente no produto em si. E alguém precisa contá-la”.
Revista Cafeicultura

