A matéria sobre as perdas do agronegócio decorrentes dos problemas de logística, de 4 bilhões de dólares referem-se, presumivelmente, pelo que se depreende análise, às perdas por dificuldades de embarque, transporte, transbordo e embarque nos terminais portuários. Definitivamente, não incluem perdas da colheita e armazenagem intermediária que são, em média, muito superiores e variam com o produto, o tipo de colheita, as condições climáticas e operacionais das colhedeiras, conforme estudos disponíveis sobre o tema. Não se trata aqui de diminuir a importância da matéria. Ao contrário, nosso propósito é valorizá-la pela oportunidade e pela disposição de uma Consultoria privada chamar a atenção para o grave problema de infraestrutura que afeta o agronegócio brasileiro: Infraestrutura de máquinas colhedeiras, armazenagem local e regional, estradas rurais, rodovias, ferrovias e hidrovias, armazenagem terminal e portos. O lado infeliz foi a comparação com o números de terminais de fertilizantes, numa insinuação de que seremos eternamente dependentes de importações desses insumos. Talvez de potássio, mas não de todos, o que leve ao desafio de investimentos em exploração de nossas jazidas fosfáticas e em industrialização de ureia a partir do gás natural. Concordo com a análise do Presidente da FAES, Julio Rocha, que aprofundando o tema para as condições do Espírito Santo inseriu uma análise importante da realidade local desde as carências da infraestrutura de produção (estradas, armazéns, hídricas e potência elétrica), passando pelas rodovias, até à armazenagem terminal, talvez devendo ter sido mencionado o grave problema portuário no Espírito Santo. Na armazenagem terminal, o justo lamento ficou com a perda dos produtores, e os prejuízos que podem advir com a destinação do armazém do IBC para outros fins que não o armazenamento de café e outros produtos agrícolas capixabas. O Governo Federal anunciou, com pompa, o armazém de 50000 toneladas de Viana, integrado à rede da Ferrovia Litorânea Sul. Este armazém é indispensável ao avanço da pecuária capixaba, especialmente a avicultura e a suinocultura. Nada mais foi dito, nem perguntado. Este armazém, o contorno de Vitória, os acessos aos terminais portuários, a dragagem do porto de Vitória, o Aeroporto com terminal de cargas, tudo ficou em projetos, se não travou com equívocos licitatórios, má gestão de contratos, ou graves indícios de irregularidades, conforme consta em relatórios do Tribunal de Contas da União para várias dessas obras. Enfim, o gasto foi elevado, as obras estão paradas ou não se iniciaram, ou ainda não foram concluídas. O preço das ineficiências de várias origens é pago em grande parte pelo produtor. A outra parte quem paga é a sociedade. Wolmar Loss Engº Agrônomo, mestre e Desenvolvimento Econômico
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