Pesquisa do Incaper sobre vermes do solo na pimenta-do-reino é publicada internacionalmente

Estudo representa o levantamento brasileiro mais recente sobre interação entre nematoides-das-galhas e a cultura

por Portal Campo Vivo
A revista Plant Disease, referência em fitopatologia, cita trabalho que mapeia a interação entre nematoides e a pimenteira-do-reino no Estado. Foto: divulgação

A pipericultura capixaba e a fitopatologia internacional iniciam o ano de 2026 com resultados de um estudo inédito e robusto sobre a interação entre vermes do solo e a pimenta-do-reino. O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), desde o final dos anos 1970 é uma das referências do desenvolvimento dessa cultura no Estado.

O estudo representa o levantamento mais recente e abrangente realizado no Brasil sobre a interação entre nematoides-das-galhas (Meloidogyne spp.) e a cultura da pimenta-do-reino (Piper nigrum).

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Resultado de cinco anos de pesquisa, o projeto deu origem ao artigo científico “Species dynamics, host associations, and black pepper resistance assessment of root-knot nematodes in Espírito Santo, Brazil”, publicado na revista internacional Plant Disease, uma das mais renomadas na área de fitopatologia.

As doenças causadas por fitonematoides configuram-se entre os principais fatores limitantes da produtividade e da longevidade dos pimentais, especialmente em regiões tropicais, onde as condições edafoclimáticas favorecem o desenvolvimento desses patógenos. As conclusões do artigo, que visam mitigar essa ameaça invisível ao produtor, estão alicerçadas em uma base de dados consideravelmente representativa da realidade de campo.

Para mapear com precisão a dinâmica desses vermes do solo, a equipe do projeto coletou e analisou mais de 230 amostras de solo e raízes em diversos municípios e regiões produtoras do Espírito Santo. Esse número expressivo de amostras conferiu à pesquisa uma profundidade estatística e geográfica inédita, permitindo a identificação segura das espécies prevalentes por meio de um conjunto de técnicas modernas, que integram análises morfológicas, moleculares e bioquímicas.

O pesquisador do Incaper, Inorbert Melo, lotado no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Norte (CPDI Norte), destaca que, dentre as principais novidades científicas, o estudo confirmou a alta suscetibilidade de materiais genéticos amplamente utilizados no estado, como as cultivares ‘Bragantina BR-124’ e ‘Kottanadan’, às espécies de nematoides mais prevalentes nas lavouras, como Meloidogyne arenariaM. incognita e M. javanica. Todavia, essas mesmas cultivares demonstraram resistência ou imunidade a espécies de nematoides-das-galhas altamente agressivas em outras culturas agrícolas, como M. enterolobii, responsável por severos danos à goiabeira, e M. paranaensis, importante nematoide do cafeeiro. O artigo detalha a dinâmica de reprodução desses vermes nas diferentes cultivares, indicando que a busca por novas fontes de resistência genética é urgente.

A publicação do trabalho pela revista oficial da American Phytopathological Society (APS), reconhecida internacionalmente como uma das principais referências na área de fitopatologia, confere ampla visibilidade e credibilidade aos resultados obtidos. “Trata-se de um periódico de elevada exigência científica, cujo rigoroso processo de avaliação por pares assegura a qualidade metodológica e a relevância dos estudos publicados, projetando a pesquisa desenvolvida no Espírito Santo para a comunidade científica internacional”, destaca Melo.

Outra contribuição relevante do estudo é a identificação de correlações diretas entre o histórico de uso do solo e a presença de espécies específicas de nematoides. A pesquisa demonstrou, por exemplo, fortes associações entre M. javanica e áreas de plantio anterior de mamão e cana-de-açúcar, bem como entre M. incognita e áreas anteriormente cultivadas com café conilon. Esses dados são fundamentais para o manejo sustentável do solo e permitem que a extensão rural do Incaper recomende, com base científica, práticas como a rotação ou sucessão de culturas com espécies não hospedeiras, contribuindo para a quebra do ciclo desses patógenos no campo.

Ao transformar resultados científicos de alto nível em subsídios técnicos para a tomada de decisão no campo, a pesquisa reforça o papel do Incaper como instituição estratégica na geração de conhecimento aplicado à agricultura capixaba e nacional. O estudo fortalece a competitividade da cadeia produtiva da pimenta-do-reino e contribui para a construção de sistemas produtivos mais resilientes, sustentáveis e alinhados com os desafios atuais da agricultura.

Com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e parceria estratégica com a Universidade de Brasília (UnB), a pesquisa reforça a importância do Espírito Santo como principal estado produtor nacional da especiaria e oferece uma contribuição científica de alto impacto para a agricultura brasileira.

Acesse o artigo publicado neste link.

*Com informações de Inorbert Melo.

Gerência de Transferência de Tecnologia e Conhecimento (GTTC) do Incaper

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