
Desde a safra de 2025, marcada por uma colheita excelente de café conilon no Brasil, a Prime Café começou a mapear, mês a mês, todos os obstáculos e desafios que o mercado enfrentaria seguindo a tendência de preços, com possibilidades de alta e de baixa também. O choque que o mercado teve em agosto com o tarifaço influenciou e fugiu à tendência do mercado que vinha escalonando baixas consecutivas desde o início de 2025. Ainda em agosto, tivemos uma surpresa: o mercado elevou suas cotações em 50% em 15 dias.
A orientação aos nossos clientes, todos os meses, foi que participassem do mercado fazendo vendas pontuais, para ter o feeling do que, de fato, viria pela frente. Depois de agosto, que o tarifaço bombardeou os preços, tivemos uma dissolução, mês a mês, e no segundo semestre outro grande desafio: a produção pelos países asiáticos em grande escala, somada ao clima favorável no Brasil nas regiões cafeeiras, o que já sinalizava uma boa safra para 2026.
Na ocasião, orientamos a possibilidade de desenhos de baixa e, de agosto até dezembro de 2025, o mercado manteve entre R$ 1.300 e R$ 1.350 a saca, números proveitosos, pois houveram oportunidades para trato cultural do café.
Em 2026, a saca a R$ 1.200, R$ 1.250, os clientes aproveitaram as oportunidades e, também, para vendas às indústrias no mercado interno (janeiro, fevereiro e março) com excelentes negócios em relação ao comércio de café junto às cafeeiras.
Nossa orientação é que os produtores entendam como funciona o mecanismo de vendas, não apostando todas as fichas no mercado, mas dissolvendo os riscos, por meio de uma corretora de café que esteja instruída por várias multinacionais, indústrias, comerciantes e até os produtores, para prevê com mais assertividade os negócios porteira adentro.
A expectativa, de agora em diante, é que o mercado se equilibre quanto à oferta global do grão, – o que pode vir a continuar esfriando as cotações -, olhando as melhores oportunidades, escoando a produção para exportação, para que o café produzido não fique refém do mercado interno. Porém, o mercado terá que se adequar para obter melhores preços, por meio de cafés de melhor qualidade e, também, de certificações.

Rafael Teixeira
Diretor comercial da Prime Café
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