Cultivares de maracujá ornamental, de polpa vermelha, resistentes à doenças, outras com alta produtividade. Abacaxi resistente à fusariose, doença que atinge 40% das lavouras dessa fruta, e sem espinhos. Mamão com padrão de qualidade e que atenda as exigências do mercado. Bananas resistentes ao mal do panamá, à sigatoka negra e à amarela e com o dobro do peso das convencionais. Essas foram as novidades apresentadas por pesquisadores nesta quinta-feira (13), durante as programações do último dia do 5º Congresso Brasileiro de Melhoramento de Plantas, no Sesc de Guarapari.
Realizado pelo Governo do Estado, por meio do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), da Secretaria de Estado da Agricultura, Aquicultura, Abastecimento e Pesca (Seag) e a Associação Brasileira de Melhoramento de Plantas, o evento acontece pela primeira vez no Espírito Santo.
A mesa de discussão sobre o tema “Melhoramento de Fruteiras Tropicais” teve como moderadora a pesquisadora do Incaper, Adelaide de F. Nogueira da Costa. A primeira apresentação foi realizada pelo também pesquisador do Instituto, José Aires Ventura, que mostrou as pesquisas na área de fitopatologia e que resultaram no desenvolvimento de variedades de abacaxi e de banana.
José Aires Ventura destacou que os grandes desafios do melhoramento é produzir materiais que atendam às exigências do mercado, frutas de qualidade, com sabor e maturação adequada, e que obedeçam às normas internacionais de segurança alimentar.
O pesquisador frisou ainda que é fundamental a integração dos trabalhos do fitopatologista com os do melhorista para se chegar à resultados promissores. Quanto às novas variedades de frutas apresentadas, Ventura mostrou as três lançadas pelo Incaper, com a sua coordenação. Uma de abacaxi – o Vitória – resistente à fusariose e sem espinhos, o que facilita os tratos culturais, e com brix e acidez superior, o que possibilita tanto o consumo in natura quanto o seu uso para sucos. E também apresentou as bananas Japira e Vitória, que, além de serem resistentes ao mal do panamá, à sigatoka negra e à amarela, possuem o dobro do peso das convencionais.
O pesquisador da Universidade Estadual Norte Fluminense (Uenf), Messias Gonzaga Pereira, que trabalha com o melhoramento do mamoeiro, mostrou que o aspecto da qualidade (valor nutricional, sabor e boa aparência) é fundamental para que uma cultivar tenha sucesso. “De nada adianta ter apenas alta produtividade. Se o consumidor não se interessar pelo o produto, o trabalho do melhorista ficará na prateleira”, explica.
Já o pesquisador da Embrapa Cerrado, Fábio Gelape Faleiro, mostrou as novidades na área de maracujazeiro. Segundo ele, a fruta é normalmente produzida para diversificação agrícola. Mas existem diversas formas de aproveitamento, além da polpa. “Os resultados iniciais são bastante animadores. Temos cultivares de maracujá ornamental, com flores muito apreciadas pela sua beleza. Já foram lançados três híbridos em 2007. Existem estudos com o uso da folha do maracujá para fins fitoterápicos, uso da casca e até da flor. Isso mostra que há muito o que fazer”, afirma. Faleiro ressaltou ainda que o alvo do melhorista é sempre o produtor. “O nosso trabalho é contribuir para melhorar a vida do agricultor.”
Lorena Fraga

