A necessidade de aumentar a produção de alimentos, a criação de fontes de energia sustentável (agroenergia), a maior adaptação das plantas frente ao aquecimento global e a preocupação com a segurança alimentar e nutricional das pessoas são alguns dos temas que serão discutidos a partir desta segunda-feira (10), durante o 5º Congresso Brasileiro de Melhoramento de Plantas, no Sesc de Guarapari.
Realizado pelo Governo do Estado, por meio do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e da Secretaria de Estado da Agricultura, Aquicultura, Abastecimento e Pesca (Seag), e pela Associação Brasileira de Melhoramento de Plantas, o evento acontece pela primeira vez no Espírito Santo, com a participação de mais de 1.200 pessoas de todo o Brasil e de outros países. As atividades prosseguem até a próxima quinta-feira (13).
O assunto ‘melhoramento’ vem conquistando cada vez mais espaço em debates e discussões no setor agrícola, devido aos resultados positivos alcançados nos últimos anos. Pesquisas científicas envolvendo a genética de plantas têm contribuído para a obtenção de cultivares mais produtivas, com maior valor nutricional, tolerantes à seca, às altas temperaturas, a pragas e a doenças.
Durante o evento, que tem como tema “O Melhoramento e os Novos Cenários da Agricultura”, serão discutidos conteúdos atuais e importantes, como: os desafios e perspectivas na segurança alimentar e energética; o melhoramento de café, eucalipto, fruticultura, olericultura e floricultura; o melhoramento em condições semi-áridas; o aquecimento global; a biotecnologia; a produção de alimentos versus a produção de biocombustível; o mercado de sementes; entre outros.
Futuro
Segundo o pesquisador do Incaper e presidente da comissão organizadora do evento, Romário Gava Ferrão, o encontro será uma oportunidade importante para se debater o cenário futuro da agricultura.
“Aproximadamente 1 bilhão de pessoas, mais de 15% da população mundial, passa fome. Ao mesmo tempo, o mundo discute a produção de biocombustíveis e de outras fontes alternativas de energia limpa e sustentável. E o aquecimento global, que afeta a produção de alimentos por causa das mudanças no clima, é outro tema que precisa ser discutido”, observou ele.
A programação envolve oito minicursos, sete palestras, oito mesas redondas, e a apresentação de 975 trabalhos técnico-científicos, o dobro dos inscritos na última edição do Congresso. Desses, 350 são pesquisas feitas com culturas anuais, 180 envolvendo recursos genéticos (biodiversidades), 170 com culturas perenes, 110 com biotecnologia e, os demais, pertencem a outras áreas.
Avanços no Espírito Santo
O diretor-presidente do Incaper, Evair Vieira de Melo, destaca que mais de 50% das pesquisas desenvolvidas pelo órgão envolvem o melhoramento genético de plantas. Nos últimos cinco anos, dezenas de variedades foram lançadas ou recomendadas pelo Instituto, promovendo avanços importantes para a agricultura capixaba e brasileira. Tais resultados tornam o Espírito Santo uma das referências nacionais em melhoramento genético, o que foi um dos motivos de sua escolha para receber o Congresso.
“O milho Capixaba Incaper 203, de maior valor nutricional e mais resistente a doenças do que outros; o café Conilon Vitória, que proporcionou um salto histórico na produtividade, contribuindo para alcançarmos o primeiro lugar no ranking nacional de produção desse café no País; as bananas Japira e Vitória deram uma esperança aos produtores que lutavam contra a sigatoka-amarela e negra e ao mal-do-panamá, as quais dizimavam lavouras inteiras. Sem contar com o abacaxi Vitória, a saída para os agricultores que perdiam toda a produção por causa da fusariose”, descreve Melo.
Por meio do Programa Renovar Arábica, criado pelo Incaper, foram recomendadas 16 variedades voltadas para a melhoria da produtividade e da qualidade do produto. Além disso, houve o lançamento do inhame São Bento, com 30% a mais de produtividade, se comparado aos tradicionalmente cultivados no Estado. E, recentemente, o Incaper recomendou seis novas variedades de citrus, mais bem adaptadas às principais regiões produtoras do Estado.
Lorena Fraga

