O secretário de Produção e Agroenergia, Manoel Bertone, do Ministério da Agricultura, informou nesta segunda-feira (25) que a área econômica do governo autorizou a elaboração de estudos para avaliar uma possível compra de café, para sustentar os preços do produto. “O governo vai se mostrar mais ativo na defesa da cafeicultura”, disse ele. Bertone participou hoje do fórum de debates promovido pelo Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), que marca o início da safra cafeeira 2009/10.
Segundo ele, a possibilidade de compra de café será incluída na proposta orçamentária de 2010, mas o Ministério da Agricultura poderá atuar neste ano, como já faz no setor de açúcar. “A compra poderá ser direta, ou por meio de outros instrumentos de política agrícola, como os Aquisições do Governo Federal (AGF), explicou Bertone.
Ele observou, no entanto, que não acha que seja o caso de intervir no mercado este ano, “pois a produção será baixa”. “Trata-se de medida preventiva”, acrescentou. Com a medida, o governo poderá recompor estoques os estratégicos, que totalizam atualmente cerca de 500 mil sacas.
Juros – O secretário comentou que os juros do Funcafé devem ser reduzidos dos atuais 7,5% para 6,75%. Voto agrícola nesse sentido será encaminhado ao Conselho Monetário Nacional (CMN).
Bertone informou, ainda, que o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, assinou na quinta-feira passada portaria interministerial autorizando o programa de opções de venda de café ao governo. O comunicado com aviso de venda deverá ficar pronto nos próximos dias, com a data do primeiro leilão.
Ele disse que serão quatro leilões, com vencimento das opções em novembro (1 milhão de sacas), janeiro (800 mil sacas), fevereiro (700 mil sacas) e março (500 mil sacas). O valor de exercício será de, respectivamente, R$ 303,50, R$ 309, R$ 311,70 e 314,40 a saca.
De acordo com as regras, cada produtor poderá adquirir opções para vender, no máximo, 400 sacas, ao longo dos quatro leilões. Se o produtor adquirir o direito de venda de volume inferior a 400 sacas, o saldo restante não poderá ser transferido para terceiros.
Em relação às críticas de produtores de café do Sul de Minas, que mostram-se insatisfeitos com a política do governo para o setor e pedem mudanças no Ministério da Agricultura, Bertone afirmou que “não é possível agradar a todos”. Segundo ele, a administração de Stephanes tem sido “impecável”, sem irregularidades.
Agência Estado

