
Mapear onde estão as áreas de café e acompanhar como elas se modificam ao longo do tempo são os principais objetivos de uma metodologia em desenvolvimento no Espírito Santo. Os avanços foram apresentados na quarta-feira (23), durante reunião do Comitê Gestor do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cafeicultura do Espírito Santo, realizada na Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), em Vitória.
A ferramenta deverá permitir a atualização dos dados a cada seis meses, com armazenamento das informações para a formação de uma série histórica. Dessa forma, além de identificar a distribuição das áreas de café no Estado, será possível comparar diferentes períodos e acompanhar a evolução da atividade.
“Ao abrir esses dados ao público e atualizá-los periodicamente, o Estado fortalece a transparência e leva o conhecimento produzido pela pesquisa a quem está no campo. É um trabalho feito em parceria entre governo, universidade e Incaper, que reforça o papel do Espírito Santo como referência na cafeicultura”, destacou o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli.
A metodologia busca conciliar precisão das informações e viabilidade de execução. O trabalho utiliza técnicas de sensoriamento remoto, amostragem e inteligência artificial para acelerar a produção dos mapas. Segundo os pesquisadores envolvidos no desenvolvimento da ferramenta, métodos tradicionais podem levar de dois a três anos entre o levantamento dos dados e a disponibilização dos mapas. Com a nova metodologia, a expectativa é reduzir esse intervalo para cerca de quatro a seis meses.
O mapeamento diferencia áreas de café conilon e arábica e identifica lavouras em produção, áreas recém-plantadas e em renovação. Os dados também serão disponibilizados ao público, permitindo o acesso às informações e o acompanhamento da evolução das áreas de cafeicultura no Estado.
“O mapeamento nos permite ter um retrato mais próximo do real, tanto da quantidade de área de produção quanto de onde estão essas áreas. Isso acelera a avaliação da evolução e do comportamento espaço-temporal das culturas e permite que as políticas públicas sejam planejadas a partir de informações que correspondam à realidade daquele momento, e não apenas olhando para um passado para planejar o futuro”, explicou Samuel de Assis Silva, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) – Campus Alegre e um dos pesquisadores envolvidos no desenvolvimento da ferramenta.
Dados para planejamento e rastreabilidade
O mapeamento também poderá contribuir para diferentes etapas da cadeia produtiva, desde o planejamento de políticas públicas até demandas relacionadas à rastreabilidade e às exigências do mercado internacional.
“O mapeamento do café apoia a rastreabilidade e a emissão de certificações para atender regulamentações internacionais. Também permite direcionar políticas públicas a partir da distribuição espacial das lavouras e contribui para estimativas de safra mais precisas, já que a área plantada é um elemento importante para calcular a produção”, explicou Renato Corrêa Taques, pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
A atualização dos dados a cada seis meses também permitirá construir uma série histórica das áreas de café no Espírito Santo. A comparação entre diferentes períodos poderá mostrar mudanças na distribuição e na dimensão das áreas cultivadas, ampliando a capacidade de acompanhamento da dinâmica da cafeicultura capixaba.
Participação das cooperativas
As cooperativas participaram das discussões sobre o projeto, contribuindo para a identificação de necessidades e possibilidades de uso das informações produzidas pelo mapeamento. A expectativa do setor é que, em uma etapa posterior, os dados possam ser integrados aos sistemas das cooperativas e chegar aos cooperados.
“As cooperativas acompanharam o projeto desde o início e participaram de agendas específicas para identificar suas necessidades. Agora, com esse primeiro avanço, temos a expectativa de integrar o mapeamento desenvolvido pelo Governo do Estado, pela Ufes e pelo Incaper aos sistemas das cooperativas, chegando ao nível do cooperado”, destacou Vinícius Schiavo, analista de Desenvolvimento Cooperativista do Sistema OCB/ES.
Segundo Schiavo, a evolução do mapeamento também poderá contribuir para dar mais segurança às cooperativas diante de exigências e verificações relacionadas ao mercado internacional.
Próximos passos
A metodologia de mapeamento apresentada corresponde à primeira versão disponibilizada pelo projeto e ainda passará por etapas de aprimoramento. O desenvolvimento seguirá até o fim de 2027, com o objetivo de ampliar a precisão das informações, tanto na identificação das áreas efetivamente ocupadas pelo café quanto na delimitação cartográfica dos talhões.
O trabalho é desenvolvido por meio de uma parceria internacional entre o Governo do Espírito Santo, por meio da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), e a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com recursos do AL-INVEST Verde. Financiado pela União Europeia, o programa tem como objetivo promover o crescimento sustentável e a criação de empregos na América Latina.
A expectativa é que, com a evolução da metodologia e a atualização periódica dos dados, o Estado passe a contar com uma base de informações cada vez mais precisa para acompanhar a dinâmica das áreas de café e subsidiar ações de planejamento e desenvolvimento da cafeicultura capixaba.
Assessoria de Imprensa

