
A Câmara Municipal de Pinheiros aprovou o Projeto de Lei nº 30/2026 que concede ao município o título de “Pinheiros – A Cidade do Reflorestamento e Guardiã das Águas”. Mais de 600 mil árvores já foram plantadas e, em média, 200 hectares estão em processo de restauração ambiental. A iniciativa reúne produtores rurais, Nestlé, Associação dos Irrigantes do Estado do Espírito Santo (Assipes), Sindicato dos Produtores Rurais e Fundação SOS Mata Atlântica.
O projeto tem como foco, principalmente, a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), nascentes, margens de cursos d’água e outras áreas ambientalmente estratégicas dentro das propriedades rurais.
Mais do que uma chancela institucional, o título reconhece um movimento que ganhou força a partir de 2023, quando, por meio do Programa 4C da Nestlé, foi iniciado um amplo trabalho de recuperação ambiental no município, em parceria com a Assipes, o Sindicato dos Produtores Rurais, produtores locais e a Fundação SOS Mata Atlântica.
Uma transformação construída dentro das propriedades rurais
Um dos aspectos mais importantes da iniciativa é o protagonismo dos produtores. As áreas recuperadas estão dentro de propriedades privadas e fazem parte de uma estratégia que busca conciliar produção agrícola, conservação ambiental e segurança hídrica.
O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Pinheiros, Abdias Júnior, destaca que o reconhecimento pertence, principalmente, aos produtores que decidiram participar do projeto e destinar áreas de suas propriedades para a recuperação ambiental.
“Esse título mostra que produção rural e preservação ambiental podem e devem caminhar juntas. O produtor de Pinheiros entendeu que cuidar das nascentes, recuperar as APPs e plantar árvores é também cuidar do futuro da própria atividade agrícola. São mais de 600 mil árvores plantadas com a participação de homens e mulheres do campo que abriram suas propriedades e acreditaram nesse projeto. Pinheiros está mostrando ao Espírito Santo que o produtor rural pode ser um dos grandes protagonistas da preservação ambiental”, disse Abdias.
A iniciativa também representa uma mudança importante na maneira de enxergar a sustentabilidade no agronegócio. Em vez de colocar produção e meio ambiente em lados opostos, o projeto demonstra, na prática, que é possível produzir alimentos, gerar renda e, simultaneamente, recuperar áreas ambientais estratégicas.
Para o produtor rural Rafael Ruela, participar desse movimento significa assumir uma responsabilidade que ultrapassa os limites da própria fazenda. “Quando recuperamos uma nascente ou plantamos árvores às margens de um córrego, o benefício não fica somente dentro da nossa propriedade. A água segue seu caminho e atende outras propriedades, outras famílias e toda a sociedade. Nós, produtores, dependemos diretamente da terra e da água e, por isso, temos enorme interesse em preservá-las. Ver Pinheiros receber esse título é motivo de orgulho, porque mostra que aquilo que começou dentro das fazendas está se transformando em um legado para todo o município”, destaca o produtor.
600 mil árvores e um símbolo para o Espírito Santo
O plantio de mais de 600 mil árvores em pouco mais de três anos coloca Pinheiros em posição de destaque e cria uma experiência que pode servir de referência para outros municípios capixabas. A recuperação de mais de 200 hectares representa a formação de novos corredores de vegetação, proteção de nascentes, redução de processos erosivos, maior infiltração de água no solo e proteção dos recursos hídricos.
O trabalho ganha ainda mais relevância por acontecer em uma região de forte vocação agropecuária. Pinheiros demonstra que municípios cuja economia está diretamente ligada ao campo podem assumir também uma posição de liderança na agenda ambiental.
Uma chancela para um movimento que está apenas começando
O título de “Cidade do Reflorestamento e Guardiã das Águas” transforma Pinheiros em símbolo de uma nova visão para o desenvolvimento rural capixaba. O impacto deverá ser medido ao longo das próximas décadas, na recuperação das nascentes, na proteção dos cursos d’água, na biodiversidade, na disponibilidade hídrica e na construção de uma agricultura cada vez mais sustentável.
Informações Assipes

