Da escassez à inovação: falta de mão de obra leva família de Nova Venécia apostar na hidroponia

Após duas décadas plantando na terra, estufas marcam um novo capítulo na história da família Rolim

por Portal Campo Vivo
Darcilio Silva Ferrugine (à esquerda), com Marcos Rolim, sócios do Mundo Verde Hidroponia, acompanhados de Aquiles, que representa a nova geração da família. Foto: arquivo pessoal

Em Córrego do Alegre, zona rural de Nova Venécia, noroeste do Espírito Santo, a paisagem verde que por quase duas décadas brotou do chão hoje cresce suspensa. O cultivo de hortaliças, que dependia do tempo, com chuva na medida certa e sol moderado, agora é feito em seis estufas produzindo em média 44 mil plantas por mês, com mais qualidade e sustentabilidade.

A decisão de migrar do cultivo aberto, sistema tradicional de agricultura onde as plantas crescem diretamente no solo, para as estufas, foi estratégica devido ao peso da escassez de mão de obra no campo, diz Darcilio Silva Ferrugine, sócio do Mundo Verde Hidroponia.

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“Há 20 anos meu sogro (Marcos Rolim) plantou direto na terra. Apesar do sistema hidropônico HPM ser muito mais complexo, ele precisa de menos pessoas para o manejo”, explica.

A modernização exigiu coragem e busca de conhecimento. Foram até São Paulo, conhecer de perto como funcionava o sistema, comprar novas estufas e contratar consultoria especializada de um profissional com 13 anos de experiência na área.

“Estamos há apenas quatro meses com o sistema e, em junho, vamos expandir a produção com mais três estufas para ampliar a capacidade produtiva, incluindo novas variedades de alface”, explicou, informando que a família fornece os produtos para supermercados e hortifrutis de Nova Venécia. Até agora foram feitos mais de R$ 1 milhão em investimentos.

Com a introdução de mais três estufas e novas variedades de alface a produção deve aumentar, a partir do mês de junho.

Darcilio Silva Ferrugine, um dos sócios do Mundo Verde Hidroponia. Foto: arquivo pessoal

44 mil plantas por mês
Dentro das estufas, a produção é de 44 mil plantas mensais. São cultivados: coentro, salsa, cebolinha, agrião, rúcula e alfaces nas variedades americana, crespa, mimosa, roxa, lisa e a Kiribati – conhecida como “cabelo de anjo”.

No solo, a família mantém parte da produção tradicional com couve, hortelã e almeirão, preservando a história que começou com o senhor Marcos.

Quando o clima dita prejuízo
Outro fator decisivo para a migração foi o clima. No sistema “no tempo”, uma chuva forte ou calor extremo, como no Verão, pode comprometer a produção inteira ou reduzir a rentabilidade.

Dentro das estufas, o cenário mudou. “A estrutura coberta permite controle maior de temperatura e luminosidade. O uso do Aluminet, que é uma tela instalada abaixo da lona, ajuda a reduzir o calor interno e estabilizar a temperatura. Hoje conseguimos produzir com muito mais regularidade”, afirma.

Mais controle, mais qualidade
Com controle rigoroso da nutrição, as hortaliças se tornaram visualmente mais atraentes e com sabor mais marcante, agradando os varejistas e consumidores.

“Esse foi outro grande diferencial. O produto ficou mais atraente aos olhos e até o gosto mudou para melhor, pois temos mais controle dos nutrientes. Se o manejo não for totalmente correto, qualquer detalhe fora do padrão pode comprometer o plantio inteiro”, alerta Darcilio.

Água que circula, não se perde
No empreendimento, com a hidroponia o consumo de água reduziu. Cada estufa possui um reservatório de 5 mil litros, higienizado a cada 14 dias. A água circula pelo sistema e retorna ao tanque. Diariamente, apenas se completa o volume que as plantas absorvem.

Quando chega o momento da troca, nada é desperdiçado. “Rica em nutrientes, a água é reaproveitada para irrigar a lavoura de café”, explica o empresário.

Valda Ravani, jornalista

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