Efeito das mudanças climáticas no manejo de insetos-praga

*Por Renan Batista Queiroz

por Portal Campo Vivo
Foto: Renan Batista Queiroz

As mudanças climáticas representam um dos principais desafios para o manejo de insetos-praga na agricultura atual. O aumento da temperatura média global, alterações nos regimes de precipitação e a elevação da concentração de CO₂ atmosférico influenciam diretamente a biologia, a distribuição e a dinâmica populacional dos insetos, podendo intensificar os problemas fitossanitários nas lavouras.

Entre os principais efeitos observados está o aumento da taxa de desenvolvimento e reprodução dos insetos, já que muitos organismos são altamente dependentes da temperatura. Em ambientes mais quentes, o ciclo de vida pode se tornar mais curto, possibilitando maior número de gerações por ano, o que eleva a pressão de infestação sobre as culturas. Além disso, as mudanças climáticas podem favorecer a expansão geográfica de diversas espécies-praga, permitindo que colonizem novas áreas agrícolas anteriormente inadequadas ao seu desenvolvimento.

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Outro impacto importante ocorre na interação entre plantas, pragas e inimigos naturais. Alterações ambientais podem modificar a qualidade nutricional das plantas hospedeiras e reduzir seus mecanismos naturais de defesa, tornando-as mais suscetíveis ao ataque de insetos. Em algumas situações, o aumento de CO₂ e temperatura pode reduzir compostos de defesa vegetal, favorecendo a ocorrência de pragas e aumentando os danos às culturas.

As mudanças climáticas também podem desestabilizar relações ecológicas, afetando predadores, parasitoides e polinizadores. Como esses organismos possuem tolerâncias climáticas diferentes das pragas, pode ocorrer um desequilíbrio no controle biológico natural, resultando em maior incidência de insetos-praga e maiores perdas agrícolas.

No caso da cafeicultura, por exemplo, alterações climáticas podem modificar a distribuição e o ciclo reprodutivo de pragas importantes como a broca-do-café, cochonilhas e o bicho-mineiro, aumentando os riscos fitossanitários e exigindo maior atenção ao manejo integrado de pragas, além de contribuir para o aparecimento de pragas emergentes.

Recentemente, tem sido observado em lavouras de café conilon no norte do ES, ataque de mosca branca, o que nunca foi relatado anteriormente. Ainda é preciso identificar a essa espécie de mosca branca. Esse grupo de insetos tem por hábito sugar as folhas mais novas, injetar toxinas e podem ser transmissoras de viroses. No caso do café conilon, as ninfas têm sido encontradas na parte de cima das folhas, associadas com o aparecimento de fumagina, o que reduz a capacidade fotossintética das plantas.  

Diante desse cenário, o manejo de insetos-praga precisa se adaptar às novas condições ambientais. Estratégias baseadas no Manejo Integrado de Pragas (MIP) tornam-se ainda mais importantes, combinando controle biológico, cultural, químico e práticas de manejo sustentável. Além disso, a diversificação de métodos de controle, o uso de tecnologias emergentes e a adoção de sistemas agrícolas mais resilientes são fundamentais para garantir a sustentabilidade da produção agrícola e a segurança alimentar frente às mudanças climáticas.




Renan Batista Queiroz
Eng. Agrônomo. Dr. em Entomologia
Professor da Faesa


A Campo Vivo não se responsabiliza por conceitos emitidos nos artigos

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