Com a guerra entre Rússia e Ucrânia, o setor de máquinas agrícolas do Brasil, neste momento, não fecha novos negócios com os dois países. As empresas com atuação no país, que tradicionalmente aproveitam as feiras para fazer negócios a longo prazo com o Leste Europeu, neste ano durante a maior feira de máquinas agrícolas da América Latina, a Agrishow, “congelaram” a oportunidade de novos negócios principalmente com a Rússia.
De acordo com Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em 2021 as vendas do Brasil para o Leste Europeu gerou US$ 80 milhões em vendas, o valor representa 8.1% das exportações totais de máquinas agrícolas no período.
O número apesar de ser baixo perto de outros parceiros comerciais do Brasil, chama atenção do setor já que o cessar-fogo entre os dois países parece estar em uma realidade distante neste momento. Desde o início da guerra, em 20 de fevereiro, as empresas brasileiras paralisaram os envios de equipamentos e também não fecharam novos negócios. As sanções impostas à Rússia impedem os pagamentos via swifit e a logística comprometida é outro fator que aumenta as incertezas de todo setor agrícola.
“Muitas empresas deixaram de mandar encomendas para lá. Quando estourou a guerra, até onde sei de todos os fabricantes que exportam pra Rússia e Ucrânia, não estão enviando para lá. Na Ucrânia, com os bombardeios a carga não chega, já a Rússia tem os problemas das sanções que muitos bancos não fazem negócio, não aceitam. Então praticamente coneglou os negócios pra Rússia”, acrescenta.
Faz parte da rotina da Agrishow receber compradores de outros países na feira, inclusive do Leste Europeu. Pedro ressalta que a Rússia estava em um momento para compras de máquinas agrícolas, já que o governo local antes do início do conflito estava trabalhando para impulsionar a produção no país.
Questionado sobre a receita gerada com o Leste Europeu, Pedro ressalta que o volume é expressivo, mas que com a demanda interno crescendo de forma significativa nos últimos anos o valor poderá ser “diluído” nas negociações em território nacional, neste momento em que o setor aguarda pelo cessar-fogo entre os dois países para retomada das negociações.

