Medo do ebola eleva os preços do cacau

por admin_ideale

O alastramento do vírus mortal ebola através da África Ocidental está criando temores no mercado sobre o risco de que o fornecimento de cacau, um dos principais produtos de exportação da região, possa ser interrompido.

Os preços para o principal ingrediente do chocolate subiram 8,86% na última semana, impulsionados pela crescente preocupação de que o surto atingirá a Costa do Marfim ou Gana, que produzem cerca de 60% do cacau no mundo. Até agora, nenhum caso foi registrado em nesses países. Mas a Costa do Marfim divide fronteira com a Libéria e com a Guiné, dois dos países mais afetados pelo ebola, e há pouca fiscalização.
Mesmo um pequeno número de casos de ebola na Costa do Marfim pode provocar um impacto devastador no mercado de cacau, dizem analistas. O cacau é produzido em pequenas propriedades, com os produtores vendendo os grãos para intermediários que vão de propriedade em propriedade em motocicletas reunindo a safra para ser transportada até a costa para exportação. As restrições de viagens e quarentenas usadas para conter a doença pode rapidamente isolar milhões de produtores, obstruindo o fornecimento para os fabricantes mundiais de chocolates.
 
"O medo que as pessoas têm é que, uma vez que o ebola seja detectado na Costa do Marfim […], teremos um pandemônio", diz Hector Galvan, estrategista de mercado na RJO Futures, em Chicago. "No pior cenário, perderíamos virtualmente toda a exportação de cacau da Costa do Marfim [ou] Gana por um período imprevisível."
 
A última vez que as exportações da Costa do Marfim foram interrompidas durante um período de guerra civil no fim de 2010 e início de 2011, os contratos futuros de cacau subiram para os níveis mais altos em 32 anos. Qualquer interrupção das exportações seria devastador para a Costa do Marfim, que depende pesadamente da renda gerada pela agricultura. Uma interrupção poderia rapidamente se irradiar pelo mercado global, onde a demanda recorde por chocolate está pressionando a oferta. Os futuros de cacau subiram 20% este ano e atingiram um nível recorde de três anos em agosto.
 
Ontem, os futuros de cacau para entrega em dezembro subiram 2,12% na bolsa ICE Futures, para US$ 3.328 a tonelada, o maior valor até agora para entrega em dezembro. Os operadores e investidores estão chamando a alta de "prêmio ebola". Uma paralisação das exportações na região pode levar as cotações para US$ 4.000 por tonelada, prevê Galvan.
 
"Com ebola ou sem ebola, a forte demanda já está pressionando os preços do cacau", diz Akin Olusuyi, diretor da Cocoa Products Limited, uma processadora do Estado de Ondo, na Nigéria. A Nigéria, o quarto maior produtor de cacau do mundo, tem 19 casos confirmados de ebola no atual surto, mas apenas cinco nos últimos 21 dias, segundo a Organização Mundial de Saúde.
 
O número de novos casos de ebola ainda está crescendo. A OMC contou 5.335 casos confirmados ou suspeitos com 2.622 mortes até 14 de setembro na Libéria, Guiné e Serra Leoa, os três países mais atingidos. Na semana passada, o presidente Barack Obama disse que a epidemia está "saindo fora de controle" e enviou 3.000 soldados americanos para a região. Muitos analistas sustentam que a epidemia deve ser espalhar ainda mais nestes três países.
 
"Dada a natureza extremamente porosa da fronteira da Libéria com a [Costa do Marfim] […] parece ser um pequeno milagre que casos de ebola não tenham sido registrados lá", disse Benjamin Spatz, especialista em política da África Ocidental e ex-assessor do governo da Libéria.
 
Muitos investidores e analistas preveem uma epidemia generalizada de ebola na Costa do Marfim como uma ameaça remota.
 
"Certamente, a discussão do mercado sobre ebola e cacau aumentou recentemente, [mas] até o momento, o fluxo de comércio de cacau não foi afetado pela epidemia", diz Gillian Rutherford, vice-presidente sênior do Pacific Investment Management Co. que supervisiona US$ 25 bilhões em vários portfólios de commodities. Atualmente, a Pimco mantem uma posição neutra em cacau, diz Rutherford.
 
Grandes produtoras de chocolate, incluindo a Nestlé e a Mars Inc., afirmam que estão monitorando a situação. Barry Callebaut, o maior processador de cacau do mundo, está distribuindo informação sobre o vírus para trabalhadores da África Ocidental, disse um porta-voz. A Agriterra Ltd., uma empresa com sede em Londres que possui operações de milho, carne bovina e cacau na África, fechou suas operações de cacau em Serra Leoa na semana passada.
 
A safra de cacau da Costa do Marfim geralmente começa em outubro.
 
Kevin Kerr, presidente da empresa de consultoria e trading de commodities Kerr Trading International, apostou na alta dos preços do cacau em sua conta pessoal há cerca de um mês. "Se as preocupações com o ebola virarem casos concretos na Costa do Marfim, nós poderemos ver preços subirem outros 20% ou mais", diz Kerr, que administra uma carteira de cerca de US$ 250 milhões.

 

 

 

The Wall Street Journal

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