Peste suína na China força país a elevar importação de carnes

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O avanço da peste suína africana por várias regiões produtoras da China reduz a oferta interna da proteína no país e eleva a necessidade de importações.

O aumento das compras externas pela China no próximo ano poderá variar de 2% a 15%. No primeiro caso, as importações seriam de 1 milhão de toneladas. No segundo, porém, essas compras somariam 7,9 milhões de toneladas.

Os números constam no mais recente relatório do Rabobank sobre o setor. A instituição, especializada no agronegócio, prevê que esse cenário complicado para os chineses poderá interferir também no mercado externo.

O Brasil, um dos principais exportadores mundiais de proteínas e que já vem expandindo as vendas de carnes para a China, seria um dos beneficiados também no próximo ano.

O avanço da doença no país provoca um aumento nos abates, proibição de transporte de animais das regiões afetadas e das vizinhas e uma volatilidade nos preços, que já são os maiores em 15 anos.

O banco prevê que o Brasil —que já elevou em 247% as exportações de carne suína para os chineses nos meses de janeiro a outubro deste ano— poderá colocar mais 60% em 2019: 256 mil toneladas.

A queda da produção na China poderá elevar o consumo de carnes bovina e de frango no país.

Os chineses são os maiores produtores e consumidores mundiais de carne suína. O produto que melhor substitui essa proteína seria o frango, na avaliação do banco.

Mesmo assim, as importações de carne bovina pelo país tiveram intensa elevação, subindo 40% nos nove primeiros meses deste ano.

O Rabobank espera novo aumento em 2019. Os países da América do Sul, da Europa e Austrália estarão entre os principias fornecedores do produto para os chineses.

O banco vê um cenário de aumento das exportações de carne bovina do Brasil no próximo ano. Além de China e Chile, países que tiveram grande importância neste ano, a Rússia retirou parte das barreiras que mantinha ao produto brasileiro.

O Rabobank estima um aumento de produção de carne bovina de 2% em 2019 no Brasil, após aceleração de 4% neste ano.

Empresas desenvolvem programa para melhoria da carne bovina

A qualidade da carne bovina brasileira é boa, mas ainda tem muito a evoluir. Com essa visão, a Minerva Foods e a Phibro Animal Health desenvolveram um programa de eficiência de carcaça do animal.

“É preciso explorar melhor o mercado que se tem, nivelando a carne por cima”, diz Fabiano Tito Rosa, diretor de compras de gado da Minerva.

Para Maurício Graziani, o objetivo é atingir um novo patamar de eficiência a partir da disseminação de boas práticas, integração dos vários elos da cadeia produtiva e apoio aos pecuaristas para que produzam melhor.

“É um desafio”, diz Luís Ricardo Luz, diretor de operações da Minerva. Indústria e pecuarista devem se adequar ao mercado para atender melhor o que o consumidor quer, acrescenta.

Para Larry Muller, CEO da Phibro, são necessários cuidados em cada etapa do processo. É hora de aprimorar essa prática porque os mercados já estão exigindo lá fora, segundo ele.

Esse programa de eficiência de carcaça é voluntário. O produtor que aderir vai ter informações sobre o resultado do gado produzido, levando-se em consideração os principais quesitos exigidos pelo mercado, entre eles o melhor perfil para a carcaça e modelos de produção.

É um programa de médio e longo prazos e a expectativa das empresas é que, além de se adequar às novas exigências de mercado, vai gerar mais renda ao pecuarista.

A Minerva é líder em exportação de carne bovina na América do Sul e a Phibro é uma empresa global ligada à saúde e nutrição animal.

Folha de São Paulo

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