Confira orientações sobre o manejo do cafezal neste período de crise hídrica

por Portal Campo Vivo

00cafe06.jpgO Espírito Santo enfrenta uma crise hídrica sem precedentes na história. As tendências para os próximos meses indicam que as chuvas devem ser abaixo da média em todo o Estado. A seca vem causando muitos prejuízos à produção capixaba, principalmente ao café conilon, principal produto agrícola do Espírito Santo. Diante destas circunstâncias, o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) orienta os cafeicultores capixabas com relação às práticas mais adequadas que podem ser adotadas na plantação.

A proteção do solo continua sendo uma das práticas mais necessárias. O Incaper sugere que o cafeicultor mantenha o solo coberto o máximo possível, fazendo a roçada para manter o mato baixo. O controle do mato é uma técnica extremamente sustentável, que ajuda a manter a umidade do solo e o fornecimento de matéria orgânica à planta.

Produtores que possuem lavouras irrigadas devem aproveitar o momento para fazer o melhor manejo possível da irrigação. Além de definir adequadamente a quantidade de água que será disponibilizada às plantas, é necessário ajustar o intervalo entre uma irrigação e outra. Ao estabelecer quando e em quanto tempo será acionado o sistema de irrigação, o cafeicultor propicia o melhor crescimento de planta, frutos e grãos. Além disso, economiza-se água e energia elétrica. Isso porque os cálculos levam em consideração expectativa de chuva, temperatura, tipo de solo, estágio de desenvolvimento e potencial de produção da planta. Dessa forma o cafeicultor só aciona o sistema de irrigação quando necessário e durante o período exigido pela lavoura, sem desperdícios, contribuindo assim, para a sustentabilidade da atividade.

Para as lavouras que receberam a poda, deve ser dada atenção especial ao momento e à forma de desbrota. Com a seca extrema, o desenvolvimento dos brotos também está sendo prejudicado. Mas é preciso vigilância constante, para não passar da hora: a desbrota deve ser feita quando o broto tiver entre 10cm e 20cm, cuidadosamente. O Incaper orienta deixar de 3 a 4 brotos na planta, dependendo do espaçamento. Os brotos que permanecerem no pé de café devem estar bem distribuídos, localizados na parte inferior e externa do caule.

O produtor pode aproveitar o momento para planejar a adubação do cafezal, após a análise de solo e folha. Para isso, é imprescindível que o solo esteja com boa umidade. O ideal é aplicar adubo, químico ou orgânico, após chuva de boa intensidade ou irrigação. O solo molhado permite o deslocamento dos nutrientes até as raízes e sua adequada absorção. Aplicar adubo com o solo seco é desperdício: os nutrientes não são aproveitados pela planta e o produtor acaba tendo prejuízo.

Recomenda-se também o monitoramento constante de pragas e doenças: ferrugem, broca do fruto, cochonilha da roseta e broca da haste são problemas potenciais que podem manifestar com maior ou menor intensidade nestas condições. Dependendo do resultado do monitoramento, o produtor avalia, junto com um técnico do Incaper, se há necessidade de controle. Isso porque, com a seca, a incidência de algumas pragas e doenças pode diminuir, e não há necessidade de aplicação de defensivos.

A adoção das técnicas desenvolvidas e recomendadas pelo Incaper é fundamental para uma melhor convivência com a seca, garantindo bons resultados na lavoura. Para obter mais orientações a respeito das técnicas de manejo do cafezal, o produtor deve procurar o Escritório Local de Desenvolvimento Rural do Incaper do seu município.

Incaper

 

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