Números da movimentação portuária no Rio de Janeiro e Espírito Santo nos primeiros meses deste ano mostram que o crescimento da carga movimentada está mais concentrado na importação, em linha com o rápido declínio do saldo da balança comercial brasileira, que passou de US$ 8,721 bilhões no primeiro trimestre de 2007 para US$ 2,837 bilhões no primeiro deste ano. No Porto de Vitória, a tonelagem exportada em janeiro e fevereiro caiu 8,95% em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 606,87 mil para 552,57 mil toneladas.
Paralelamente, os desembarques no longo curso (importações) passaram de 367,80 mil para 510,59 mil toneladas. A movimentação de automóveis, segundo informou a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa), é totalmente na importação, cresceu 359,59%, passando de 3.477 unidades para 15.980 unidades. O número total de contêineres movimentados cresceu 11,19% no bimestre, passando de 36.031 para 40.064 TEUs (unidade padrão que corresponde a um contêiner de 20 pés, ou 6,10 metros).
Quando olhada por origem e considerando as unidades de 20 e de 40 pés, a movimentação de contêineres em Vitória também é reveladora do aumento das importações. Em janeiro e fevereiro, o porto da capital capixaba recebeu do exterior 12.020 contêineres cheios, sendo 6.133 de 40 pés (12,20 metros). Já na exportação, o movimento foi de apenas 7.722 unidades cheias, das quais somente 1.702 de 40 pés.
Segundo Luiz Henrique Carneiro, diretor da Multiterminais, empresa que opera um dos trechos de movimentação de contêineres do porto do Rio de Janeiro, o contêiner de 40 pés é mais usado nas importações porque as cargas de maior valor agregado, como eletroeletrônicos, são mais leves e volumosas do que, por exemplo, produtos siderúrgicos. Os números do primeiro trimestre da Multi-Rio Operações Portuárias, empresa do grupo Multiterminais, também ratificam o crescimento das importações.
Segundo Carneiro, de janeiro a março foram movimentados no terminal da Multi-Rio 51.915 TEUs, aumento de 10,37% sobre os 47.037 TEUs do mesmo período de 2007. Quando a estatística é feita por unidade, independente do tamanho, o crescimento é de apenas 4,3% (de 33.864 para 35.322).
“A diferença decorre do crescimento dos contêineres de 40 pés sobre o de 20 pés. Significa que as importações crescem em ritmo mais forte do que a exportação”, analisa. Carneiro ressalta que sua avaliação por tamanho do contêiner depende das características das cargas movimentadas em cada porto. “Aqui na região Sudeste nós exportamos muito em contêineres de 20 pés e importamos mais em contêineres de 40 pés”, afirma.
De acordo com eles, os números não significam queda na movimentação de cargas, seja de importação ou de exportação. Tanto que o número de veículos que passou pelo Multi-Rio de janeiro a março chegou a 38.102, com aumento de 37,8%) sobre o primeiro trimestre do ano passado. “A exportação está crescendo e a importação está andando de lado”, diz.
Na área de commodities, as exportações seguem crescendo. A ArcelorMittal Tubarão, que escoa seus produtos pelo porto de Praia Mole (ES), próximo a Vitória, ampliou seus embarques no primeiro bimestre de 940 mil para 1,067 milhão de toneladas, crescendo 13%. Os produtos siderúrgicos, apesar disso, foram os principais responsáveis pela queda das exportações por vitória, passando de 77,8 mil para 25,5 mil toneladas do primeiro bimestre de 2007 para o primeiro de 2008. A Codesa informou que em Vitória o aço é uma carga esporádica e a queda não representa nenhuma tendência.
Valor Econômico

