Uma greve iniciada há duas semanas pelas quatro principais associações de produtores agropecuários da Argentina, em repúdio à decisão do governo de elevar a alíquota do imposto sobre a exportação de produtos como soja, trigo e milho, começa a provocar sérios problemas de desabastecimento no país. Ontem, os pecuaristas anunciaram que vão prolongar a paralisação por tempo indeterminado, criando um clima de preocupação. Apesar da falta de alimentos nos supermercados, sobretudo carne, leite e óleo, a Casa Rosada manteve a medida que desencadeou a pior crise enfrentada pela presidente Cristina Fernández de Kirchner.
“Voltamos a ver piquetes, desta vez protagonizados pelos setores que tiveram a mais alta rentabilidade em cinco anos. Em 2001, tivemos os piquetes da miséria, hoje vemos os piquetes da abundância”, disse Cristina.
Na segunda-feira, os grevistas bloquearam 300 estradas, e o governo acionou o Exército para evitar incidentes violentos.
“Não me submeterei a nenhuma extorsão”, afirmou a presidente.
Depois do discurso, foram realizados panelaços em bairros da capital e até na Praça de Maio.
Foram os primeiros panelaços desde a crise econômica de 2001.
“O governo subestimou os produtores rurais”, disse o presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi.
O Globo

