A Organização Internacional do Cacau revisou sua estimativa de déficit para o mercado de cacau da safra 2006/07, em 299 mil toneladas. O melhor é que a previsão realizada para a safra 2007/08 iniciou também com uma previsão de déficit em torno de 51 mil toneladas. Se esta previsão para 2007/08 acontecer, esses dois déficits provocarão uma redução de 304 mil toneladas no estoque mundial de cacau. O estoque de cacau em 1990/91 abastecia as indústrias de cacau situadas no mundo durante 8,6 meses, com esta redução nos estoques cai para apenas 4,9 meses. Por isso, o nervosismo do mercado e esta alta na bolsa de Nova York para US$ 2.910/t em 13/03/2008. A ascensão no mercado de New York foi associada também com a deterioração continuada do nível do estoque em armazéns licenciados nos Estados Unidos, a valorização da libra esterlina frente ao dólar e a queda na produção da Costa do Marfim devido a fatores climáticos.
Porém, o cacau no mercado interno poderia estar mais alto se não houvesse essa valorização cambial, apesar de estar com ágio. Explico; se o comerciante fosse exportar o produto ao preço de US$ 2.910/t, a uma taxa cambial de US$1,00/R$1,69, retirando impostos, taxas e custos, só poderia pagar ao produtor R$ 66,00/@. O mercado está pagando R$ 73,00/@. Isto implica que ele está recebendo a mais R$ 7,00/@. Isto ocorre porque as indústrias estão necessitando de cacau e os comerciantes exportadores ou não, estão vendendo o cacau para as indústrias situadas aqui no Brasil. O mercado interno está trabalhando com um déficit em torno de 90 mil toneladas. As indústrias estão praticamente repassando integralmente o preço ao produtor, basta multiplicar essa mesma cotação pela taxa cambial dividir por mil e multiplicar por quinze e verificar que o preço ao produtor seria R$ 74,00. Na verdade as indústrias estão ganhando com industrialização do produto, quando transforma em líquour, manteiga, torta e pó e vende no mercado externo.
Em 2002 tivemos uma alta semelhante e por causa da desvalorização cambial (na época a taxa cambial estava em torno de R$ 3,14/R$1,00), a cotação do cacau no mercado interno chegou a quase R$ 150,00/@. Na realidade a política econômica do governo em relação ao câmbio está favorecendo mais aos importadores do que aos exportadores, mas, isto é uma ação para a Associação dos Produtores de Cacau, apesar de achar que isto é uma política de governo, está dando certo economicamente e dificilmente mudará. A informação que tenho é que o governo está criando um grupo de trabalho para conter essa valorização do real.
Mas, o momento é bom porque a alta no mercado não corresponde a fatores políticos (guerra na Costa do Marfim), e sim a fatores fundamentais de oferta e demanda. No final do ano de 2007, quem assistiu o Bahia Revista na TV Santa Cruz, em entrevista eu previ esta alta.
Antonio César Costa Zugaib
* Mestre em Economia Rural (UFV) e especialista em Comércio Exterior (FGV e FUNCEX) e chefe da Divisão de Planejamento e Assuntos Estratégicos da Ceplac.
Assessoria de Comunicação da Ceplac

