Depois de dois anos de embargo, a União Européia decidiu, por unanimidade, reabilitar as importações do mel brasileiro. A informação, dada pelos técnicos do Serviço de Alimentação e Veterinária (FVO) do bloco econômico, que estiveram em missão oficial no Brasil, confirma notícia já publicada pelo Estado de Minas, antecipada pela Federação Mineira de Apicultura (Femap-MG). Segundo os inspetores, o irlandês John McEvoy e o alemão Gehard Rinkus, a União Européia reconheceu que o Brasil adotou a equivalência de seus padrões no controle de resíduos e contaminantes do mel. Em poucas semanas será publicado, na imprensa oficial européia, o reconhecimento que possibilitará o retorno efetivo das exportações desse produto aos países do bloco.
Os técnicos concluíram que os laboratórios do Mapa têm equipamentos modernos e pessoal qualificado para realizar as análises dos produtos de origem animal que são exportados. Elogiaram principalmente, o Lanagro-MG/Mapa de Pedro Leopoldo (MG) afirmando que a unidade mineira é melhor que muitos laboratórios europeus aptos a realizarem o mesmo serviço. Os técnicos concluíram, ainda, que o PNCRC evoluiu bastante em relação à missão anterior, realizada em fevereiro de 2007.
O presidente da Femap-MG, Irone Martins Sampaio, comemora a conquista. Segundo ele, o estado reúne mais de 220 mil colméias espalhadas pelo interior, que produzem mais de 4 mil toneladas de mel/ano. Durante o embargo europeu, o Brasil conquistou um grande espaço exportando para os Estados Unidos. Só em janeiro, o valor das exportações brasileiras de mel foram de US$ 2,05 milhões, enquanto o própolis representou uma receita de US$ 586,8 mil.
Ele ressalta que as abelhas africanizadas – com habitat natural no Brasil – são mais resistentes e produtivas que as de outros países e independem de programas de vacinação ou uso de antibióticos. “Nossas abelhas africanizadas dispensam o uso de antibióticos ou outras substâncias contaminantes, que afetam a qualidade do mel com a presença de resíduos. Portanto, no Brasil não existe esse tipo de prática. O Brasil tem uma situação única no mundo, que é produzir mel sem o uso de medicamentos.”
E, para ganhar cada vez mais mercado, o presidente da Femap alerta que os apicultores mineiros devem ficar atentos às regras impostas pela União Européia. “A partir de agora, é obrigatória a comprovação de registro do estabelecimento exportador (entreposto) e cada apiário deve estar registrado no Ministério da Agricultura e, ainda, comprovar boas práticas de fabricação”, comenta Irone.
Estado de Minas

