Recentemente foi divulgado que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) certificou o registro do biofungicida Tricovab, para combate no campo ao fungo da vassoura-de-bruxa. Nesta quinta-feira (01), foi realizado pela Ceplac e a Associação de Cacaiucultores de Linhares (ACAL), um coletiva para falar sobre esse novo instrumento de combate a essa doença que tem prejudicado diversas lavouras no Estado e região.
Segundo o Gerente da Ceplac no Espírito Santo, Paulo Siqueira, esse biofungicida demonstrou uma eficiência na inibição do fungo de até 90% no solo e em quase 57% na copa das árvores do cacaueiro. Mas para isso acontecer, precisa ser aplicado corretamente no solo, não sendo misturado com outros defensivos agrícolas, que impedem a atuação do produto. “A pulverização deve ocorrer quatro vezes a intervalos de 30 dias e em período chuvoso”, afirmou.
Ele acrescenta, “é um excelente produto no controle da vassoura de bruxa sobre os casqueiros contaminados. Esperamos recuperar a lavoura mais rapidamente. Os clones são altamente produtivos e precoces. Com dois anos eles já estão produzindo como plantas de 30 anos”.
Para o Presidente da Associação de Cacauicultores de Linhares, Mauricío Buffon, o biofungicida é a esperança contra a doença das lavouras locais. “Achamos que a médio prazo, o setor do cacau vai voltar como era há 30 anos. Para isso queremos aumentar as parcerias com outras instituições, facilitar o acesso do produtor às fontes de recurso, e preservar a mata. O produtor de cacau é um preservacionista. É ele quem mantém a mata”, declarou.
A certificação do biofungicida encerra processo iniciado há 10 anos pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) e inclui bula e rótulo definitivos. O biofungicida foi desenvolvido pela Ceplac a partir de técnicas que usam um fungo natural e antagônico ao fungo Moniliophtora perniciosa, causador da doença nos cacaueiros.
O biofungicida é obtido mediante a fermentação do fungo Trichoderma stromaticum em laboratório. Trata-se de um produto natural que não causa agressões ao meio ambiente e que comprovou eficaz quando diluído em água e pulverizado na plantação de cacau. Por enquanto, não há previsão de venda no mercado. O Cepec será responsável pela divulgação da aplicação do produto nas propriedades rurais.
Sobre Vassoura-de-bruxa
A vassoura-de-bruxa devastou a lavoura baiana no final dos anos 80, fazendo a produção cair de 460 mil toneladas para menos de 120 mil toneladas na década seguinte. Essa doença vem contaminando lavouras de diversos estados.
A Vassoura-de-bruxa pode trazer perda na receita bruta de 35 a 70 milhões de reais, fazer com que o fruto perca a qualidade, contribuir para o aumento de pragas e doenças nas lavouras e causar a perda de 5 mil empregos direitos e indiretos. Além de trazer prejuízos sociais como analfabetismo, fome, violência etc.
Joyce Azevedo
Redação Campo Vivo
Comente esta notícia. Clique aqui e mande sua opinião.
(É necessário colocar nome completo, e-mail, cidade e o título da notícia comentada. Todos os comentários enviados serão avaliados previamente. O Portal Campo Vivo não publicará comentários que não sejam referentes ao assunto da notícia, como de teor ofensivo, obsceno, racista, propagandas, que violem direito de terceiros, etc.)
Siga o Campo Vivo no Twitter @CampoVivo
O Campo Vivo também está no Facebook

