Equipamentos que deveriam ser usados para melhorar a qualidade do café conilon e aumentar a renda de agricultores estão virando sucata na sede da Associação de Produtores Rurais de Bom Jardim, em Vila Valério, no Norte do Estado.
O material foi comprado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes), por meio de convênio com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e entregue em 2007 à associação.
Parte do maquinário, como um despolpador e peças utilizadas na secagem indireta do café, nunca foram utilizados. Algumas peças não foram instaladas. Os produtores da região afirmam que, em 2007, o valor pago nos equipamentos foi superior a R$ 100 mil.
Segundo eles, a Fapes também investiu, em vão, no treinamento e na capacitação, para que os agricultores pudessem operar o maquinário.
Remanejamento
Em nota, a fundação informou que tomou conhecimento do problema em 2011, através de uma vistoria na “unidade, que constatou-se a necessidade de remanejar o equipamento para melhor utilização “. Segundo órgão, a Prefeitura de Vila Valério já está preparando o remanejamento para uma associação, no Distrito de São Jorge da Barra Seca.
De acordo com o empresário Germano Dumer, que na época da doação era secretário de agricultura de Vila Valério, o conjunto de equipamentos é composto por máquina de pilar, secador, equipamento de lavar e despolpar café. “Em 2007, ficou firmado que o município ficaria responsável por montar o equipamento e a associação deveria administrar”.
O secretário de Agricultura de Vila Valério, Anderson dos Santos, confirmou que outra associação do município está sendo cotada para receber a tecnologia.
A Fapes alega que associações dos municípios de Aracruz e Mimoso do Sul também receberam os mesmos equipamentos que Vila Valério ganhou e que, nessas outras regiões, a tecnologia está sendo utilizada normalmente.
Desunião
Um funcionário da fundação que pediu para não ser identificado alega que o motivo do abandono dos equipamentos se deve à “falta de unidade” entre os associados e à dificuldade de acesso, dos produtores, ao local onde o equipamento foi instalado.
Já os produtores argumentam que falta apoio e coordenação do Estado. “Infelizmente o poder publico deixou a desejar. Não o carro-chefe seria essa despolpadora, que, na verdade, nunca conseguiu despolpar café. Falha deles”, disse o produtor rural Jacó Jose Marcos Pereira.
Jornal A Gazeta
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