Representantes do setor de cana-de-açúcar avaliam com cautela a liberação de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para renovação e ampliação de canaviais. Na semana passada, a instituição anunciou a verba de R$ 4 bilhões para financiar o equivalente a um milhão de hectares. A preocupação das indústrias de cana é em relação às taxas e ao grau de exigência para liberação do crédito, de acordo com o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba (Afocap), José Coral. Ele aponta que a taxa de juros deve chegar a 8% para empresas de grande porte. Já para pequenos produtores, o financiamento pode custar 7%. Para Coral, poucos empresários poderão aproveitar o benefício.
O analista de mercado João Oswaldo Baggio avalia que o valor a ser liberado pelo BNDES é pouco e chega em período de final de plantio. Ele afirma que os recursos devem ser usados principalmente para renovar as lavouras com a chamada cana de 18 meses. Por causa disso, os reflexos da medida só devem ser percebidos na safra 2013/2014. O consultor diz ainda que o setor precisa de uma política de longo prazo.
Em uma propriedade da Afocap, cerca de 20% dos 54 hectares de canaviais foram renovados para a safra de 2012/2013. O custo é calculado em R$ 4,5 mil por hectare. O técnico agrícola da entidade Lázaro Cardoso revela que na safra passada foram 10%. Já em 2010/2011, 7%.
O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, considera positiva a medida. Para ele, uma das vantagens é o prazo de 18 meses para o início do pagamento. A expectativa do dirigente é que os recursos cheguem rápido ao setor produtivo.
Canal Rural
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