ESPECIAL – Mercado da madeira no Espírito Santo – Segmentos comercial e residencial

por admin_ideale

 

 

Durante a última semana, o Portal Campo Vivo está publicando matérias especiais sobre o estudo do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro) sobre o mercado de madeira no estado do Espírito Santo, com o resultado de cada segmento consumidor ligado ao setor florestal.

Nesta segunda-feira, na sexta e última matéria da série, você confere o resultado do estudo sobre consumo de madeira nos segmentos comercial e residencial.

 

 

O CONSUMO DE MADEIRA COMO ENERGIA (LENHA E CARVÃO) NOS SEGMENTOS COMERCIAL E RESIDENCIAL

 

 

Este segmento considera tão somente a demanda de madeira como fonte de energia, consumida na cocção de alimentos, seja no meio rural ou no meio urbano. Para o caso do meio rural, adiciona-se a demanda de energia produzida pela lenha, para a agroindústria caseira/artesanal. Para o meio urbano, também foi considerado o consumo de lenha ou carvão em pizzarias e restaurantes/churrascarias, a partir das estimativas de consumo aparente, ou “per capita” de âmbito nacional e de informações prestadas pelas representações sindicais ou associações empresariais dos respectivos segmentos. No meio rural, certamente foi perscrutado o aproveitamento de resíduos de madeira nos estabelecimentos, uma vez que esta é uma prática comum na preparação de alimentos, seja para o consumo da família, seja na agroindustrialização.

 

  Consumo no Segmento Doméstico

A lenha apresenta função social importante como fonte de abastecimento energético de domicílios rurais em especial, mas também urbanos, particularmente em cidades menores, vilas e povoados do interior dos municípios.

As transformações tecnológicas e as alterações na matriz energética, com o crescimento no fornecimento de GLP e, mais recentemente, de gás natural para segmentos domiciliares urbanos, vêm mudando as opções de utilização da madeira como fonte de energia, não só no Espírito Santo, como na maioria dos estados brasileiros.

 Constata-se, por exemplo, que grande parte dos domicílios que utilizam a lenha para cocção, no meio rural, apresentam dois tipos de fogões: a lenha e a GLP, o que significa o uso das duas fontes de produção de energia calorífica. Além de fatores econômicos, há, ainda, outras variáveis de natureza subjetiva envolvidas tais como tradição, sabor da comida, tempo de cozimento do alimento ou mesmo facilidade de manuseio, que influenciam na opção de usar ora o fogão a lenha ora o fogão a GLP. Esse uso duplo de fontes de energia calorífica também ocorre na área urbana, especialmente, das cidades do interior, com proporção bem maior do uso de fogão a GLP.

 

Tabela. Total de Domicílios, urbanos e rurais, e sua distribuição relativa por consumo de energia para cocção- Espírito Santo 2010.

Equipamentos

Urbano

Rural

Domicílios

Lenha* (m³/ano)

Domicílios

Lenha* (m³/ano)

Fogão Lenha

8.222

25.257

45.263

263.612

Fogão lenha e GLP

70.062

255.588

55.186

395.573

Total Domicílio (2010)**

893.654

280.545

188.284

659.185

* Para a conversão de st para m³, utilizou 1:0,64

** Estimados a partir da média de residentes/domicílio de 2007, e projetando-se os domicílios para a população censitária de 2010.

 

Considerando os dados da tabela. acima, o número total de domicílios urbanos e rurais que consomem lenha, simultaneamente ou não ao consumo de GLP, chega-se a uma estimativa de consumo de lenha da ordem de 939.730 m³/ano.

 

O Consumo de Lenha e Carvão em segmentos comerciais como Restaurantes, Churrascarias e Pizzarias

 

As informações revelam que culturalmente, o consumo de carvão em âmbito doméstico se dá em reuniões familiares e de amigos, em torno dos tradicionais churrascos de fim de semana, ou para comemoração de eventos festivos. Por essa razão, ao consumo comercial de carvão em restaurantes, churrascarias e pizzarias será agregado o consumo doméstico para lazer, nos domicílios, não estimado no tópico anterior por sua insignificância.

As ausências ou disparidades de estatísticas sobre o consumo de lenha e carvão para uso comercial no país como um todo, e em especial no Espírito Santo, remetem à utilização de “consumo per capita” de âmbito nacional, para obtenção das informações preliminares sobre o consumo capixaba.

Os indicadores de consumo per capita para o Espírito Santo, obtidos a partir de cálculos com base em estatísticas do Relatório Anual do Balanço Energético Nacional (2008) são os seguintes, no segmento comercial:

a) Consumo comercial de lenha: 4.435 toneladas, ou 7.391 m³, (fator de conversão 1m³ = 600 kg).

b) Consumo comercial de carvão: 1928 toneladas de carvão, ou 7.712 mdc (fator de conversão 1mdc = 250 kg de carvão) ou 15.424 m³ de lenha (fator 2m³= 1mdc).

Com estas estimativas, o consumo de lenha e carvão no setor de serviços, considerados especificamente restaurantes e pizzarias, além do consumo de carvão para o lazer doméstico, corresponde, aproximadamente a 22.815m³ de madeira.

Para o total de consumo de lenha e carvão, considerando-se os segmentos residenciais e comerciais capixabas, há um consumo anual de madeiras e resíduos equivalente a 962.545m³.

Considerando um ciclo de corte de 07 (sete) anos e uma produtividade de 210m³/ha/ano, são necessários 32.085 ha para atender ao consumo residencial e comercial no Espírito Santo. Contudo, levando em conta que a maior parte da lenha provém de resíduos da exploração florestal, de restos de vegetação natural e de culturas agrícolas, considerou-se apenas 50% da demanda de lenha residencial, com origem no eucalipto.  considerando a demanda de madeira residencial e a comercial de madeira de eucalipto para lenha, no curto prazo, chega-se a uma área necessária de plantio de 16.423 ha.

 

 

 

 

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