Em 2010, o mundo produziu e consumiu um volume recorde de cafés: 134 milhões de sacas! Agora que estamos iniciando a nova década 2011-2020, muitos estudos inferem sobre novos hábitos, tendências e perfil do consumo de café.
A pesquisa “Tendências de Consumo 2010” da Associação Brasileira da Indústria do Café – ABIC e os estudos da P&A International Marketing e da Orlam International Limited são fontes recentes e confiáveis sobre o mercado de café, e alguns desses dados são citados a seguir.
Atualmente, os países produtores de café já representam uma fatia de 30% do consumo. Contudo, enquanto o consumo mundial de café cresceu 2,4% de 2009 para 2010, nesses países cresce muito mais, na casa dos 3,3% ao ano. E em muitos deles acima de 5%.
O Brasil, maior produtor e exportador mundial de cafés, será também o maior consumidor, ultrapassando os Estados Unidos nesta década que se inicia. A evolução do consumo de cafés no Brasil é, definitivamente, um caso de sucesso. Nos últimos 20 anos, saímos de um consumo doméstico de apenas 8 milhões de sacas para 19,3 milhões no ano passado. O consumo de 6 kg/habitante/ano ainda coloca os brasileiros entre os maiores consumidores do produto no mundo.
Também é expressivo o crescimento do consumo nos demais países produtores de café, embora a quantidade consumida por habitante ainda seja muito baixa. No Vietnã, segundo maior produtor mundial, o consumo cresceu 15% de 2009 para 2010. Mas, cada vietnamita consome apenas 880 gramas de café por ano. No mesmo período, o consumo da Indonésia cresceu 9%. Destaque ainda para México com 7% e Índia com 5% de ampliação no consumo.
Considerando o dever de casa que fizemos por aqui, e a liderança que tem nosso país no mercado internacional de cafés, é muito importante que apoie e colabore com estratégias de marketing que promovam e acelerem o aumento de consumo nos países produtores e emergentes. Precisam beber mais café os 300 milhões de consumidores potenciais da Índia (que hoje consomem apenas 90 gramas/habitante/ano) e os 500 milhões de chineses. É claro que não podemos nos descuidar dos mercados nos países ricos que ainda consomem 70% dos cafés produzidos no mundo. Mas, no momento, devemos também ter foco na ocupação dos mercados onde o consumo de cafés terá crescimento maior.
De acordo com a P&A International Marketing, nesta nova década serão atores importantes os chamados “novos consumidores”, ou seja, os jovens, as novas classes médias (a D que sobe para a C) e as diferentes preferências e novos padrões de consumo da bebida. E ainda, o consumo “fora de casa”, cada vez com maior participação, tende a puxar o consumo “dentro de casa”. Assim, precisaremos mais volume e melhor qualidade dos cafés.
Para o Espírito Santo, que produz mais de 70% do café Conilon do país, chama a atenção o estudo da Olam International Limited sobre cenários para o consumo de café robusta. Para a Olam, em 2020 o mundo deverá consumir no mínimo mais 10,3 milhões de sacas de café do grupo dos robustas, podendo chegar a 23,1 milhões de sacas, desde sejam estabelecidas campanhas de incentivo ao consumo.
As oportunidades estão postas para a década! O aumento do consumo nesses países em que a classe média é crescente se traduz em oportunidades para a base da cadeia produtiva, que são os cafeicultores. Mas isso não significa que não teremos percalços ao longo dos próximos dez anos. É fundamental a união de todos os elos da cadeia produtiva dos cafés para que aproveitemos esses espaços.
Jamais poderemos abdicar da busca e do uso constante de tecnologias que reduzam custos, aumentem a produtividade e garantam a qualidade da produção. Essas são as “armas”, não só para a superação de crises, que em algum momento virão, mas para a conquista da sustentabilidade da nossa cafeicultura, de forma a melhorar a qualidade de vida, principalmente das famílias rurais.
Enio Bergoli, engenheiro agrônomo, especialista em Administração Rural e Secretário de Agricultura do Espírito Santo
Artigo publicado na Revista Campo Vivo – Edição 10 – Junho/2011
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