Viveiros de São Mateus, Jaguaré e Sooretama podem ser a salvação da pipericultura no Estado do Pará. A afirmação é do engenheiro e professor de Fitopatologia Marcelo Barreto da Silva, que recebeu a pesquisadora Sandra Boari, da Embrapa Amazônia Oriental, cuja sede administrativa fica em Belém (PA). De acordo com Barreto, em virtude de contaminação pelo vírus do mosqueado amarelo, o Pará foi levado a destruir o banco de material genético de pimenta-do-reino que possuía.
Coordenador do Curso de Agronomia do Ceunes, Barreto salienta que, no norte capixaba, Sandra visitou viveiros e plantios a fim de coletar folhas para análise do DNA das plantas. As visitas de campo foram acompanhadas pelo engenheiro agrônomo Welington Secundino, coordenador do programa estadual de pimenta-do-reino.
Conforme Marcelo Barreto, o vírus do mosqueado amarelo está destruindo plantações de pimenta-do-reino no Vietnã, o que pode favorecer as exportações brasileiras. Ele explica que a doença é de difícil diagnóstico já que, na infecção, o vírus se junta ao DNA da planta, mas não apresenta sintomas imediatos. Como a pimenta-do-reino tem reprodução vegetativa, por ramos ou estacas, as matrizes infectadas acabam propagando a doença em mudas apenas aparentemente saudáveis.
Marcelo Barreto explica que a visita de Sandra Boari ocorreu após os dois pesquisadores terem se encontrado em um congresso de fitopatologia em Bento Gonçalves (RS). O agrônomo explica que, no norte capixaba, a pesquisadora da Embrapa encontrou materiais genéticos que já não existem no Pará, o principal produtor de pimenta-do-reino no Brasil.
Ainda conforme Barreto, a Índia, berço da pipericultura, não está mais disponibilizando esse tipo de material genético, o que pode comprometer a cultura no norte do País. Barreto salienta que Sandra Boari gostou muito da qualidade dos viveiros que visitou. Ele salientou que a pipericultura capixaba é bem mais avançada do que a paraense, cujas lavouras recebem menos tratos culturais.
O agrônomo salienta que o norte do Espírito Santo tem seis viveiros registrados e mais alguns em fase de registro. O agrônomo salienta que o norte do Espírito Santo tem seis viveiros registrados e mais alguns em fase de registro.
EXPORTAÇÃO
Marcelo Barreto salienta que a pimenta-do-reino é o quarto produto agrícola mais exportado pelo Espírito Santo, gerando 20 milhões de dólares. Fica atrás apenas da celulose com US$ 821 milhões de dólares, do café e derivados com US$ 400 mil e do cacau e chocolate com US$ 25 milhões. O Espírito Santo é o segundo maior produtor da cultura no País e São Mateus lidera o ranking no Estado, com 70% da produção capixaba. Na região, conforme Barreto, são gerados 2.000 empregos diretos.
Tribuna do Cricaré
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