Encontro tradicional de cafeicultores reúne 450 produtores em João Neiva

por admin_ideale

 

A comunidade Barra do Triunfo, em João Neiva, reuniu 450 agricultores no XIII Encontro de Cafeicultores. O encontro, realizado nesta quinta-feira (27), abordou as modernas técnicas de cultivo do café, com o objetivo de promover a melhoria da qualidade e também da produtividade.


Além dos produtores e da comunidade local, participaram do evento o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o diretor-presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Evair Vieira de Melo, e o prefeito em exercício, João Batista Rizzo, dentre outras autoridades municipais e estaduais e representantes de entidades públicas e privadas.


Durante o encontro, o secretário Enio Bergoli destacou que o município tem a melhor produtividade média de café da Região Noroeste. “Aqui neste encontro, estamos falando de conhecimento, que está sendo repassado aos produtores para que as tecnologias cheguem a todos os cafeicultores. Isso faz com eles implementem suas lavouras trazendo produtividade e qualidade para seus produtos”, afirmou.


“Reunir os cafeicultores de João Neiva e da Região Nordeste é mostrar a força do café nesta região. Os cafeicultores precisam conhecer mais tecnologias e as técnicas mais novas para aplicar em suas lavouras, para que tenhamos café com qualidade e produzido com boas práticas agrícolas. Isso agrega valor ao produto, aumenta a renda dos agricultores e melhora a qualidade de vida, além de respeitar o meio ambiente e contribuir para o desenvolvimento sustentável”, destacou o diretor-presidente do Incaper, Evair Vieira de Melo.


De acordo com o extensionista do Incaper local, Danilo Sanson, o encontro teve como objetivo estimular o uso de tecnologias voltadas para cafeicultura por produtores de base familiar, que já vêm seguindo as técnicas recomendadas pelo Instituto. “Em Barra do Triunfo, os resultados desse trabalho são nítidos. O local apresenta uma das maiores produtividades médias do Espirito Santo, superior a 40 sacas por hectare, sendo que alguns produtores alcançam mais de 100”, afirma. Participaram agricultores oriundos do município e regiões vizinhas, sendo a maioria de base familiar.


Atento às orientações passadas durante o evento, Gustavo Mazolin, produtor de conilon em João Neiva, destaca a importância de adquirir novos conhecimentos em prol de uma melhor produtividade. “Sou cafeicultor há 20 anos, mas, ainda assim, sempre aprendo novas técnicas por meio dos treinamentos oferecidos, sejam voltadas para o manejo ou comercialização”, afirma.


Ele acrescenta que não basta apenas participar das capacitações. “É preciso aplicar e testar o que se aprende e que é voltado para a realidade do agricultor. Foi assim que eu alcancei bons resultados, entre eles a melhora do manejo de irrigação e o método de poda programada, que estou implantando em minha fazenda”, afirma. Por safra, cerca de 2.500 sacas são produzidas na propriedade de Gustavo, com produtividade de 80 a 100 sacas por hectare.


A oportunidade de conhecer novos métodos de trabalho e melhorar antigas técnicas também é destacada pelo produtor de conilon, Ronaldo Batista, também de João Neiva. “O encontro nos apresentou novas tecnologias voltadas para a cafeicultura, que nos auxilia na lavoura o tempo todo. Mas, também ressaltou como melhorar alguns métodos que já usamos em nosso dia a dia. Toda vez que saio de um evento como este, procuro aplicar o que aprendi de acordo com a situação da minha propriedade”, comenta. Em sua propriedade, a média chega a 100 sacas por hectare a cada safra, sendo 100 hectares voltados para o cultivo de café.


No município existem cerca de 800 propriedades produtoras de café, em uma área plantada de 4,5 mil hectares, que ao todo produzem aproximadamente 150 mil sacas de café a cada ano. Por ser a principal atividade econômica de João Neiva, o café está presente em, aproximadamente, 90% de todas as propriedades do município.


Panorama


O Espírito Santo possuí uma área aproximada de 500 mil hectares de lavoura de café, que foi responsável pela produção de mais de 11.500 milhões de sacas, oriundas de 60 mil propriedades localizadas no Estado. Essa produção coloca o Espírito Santo como o segundo maior produtor do Brasil, com 25% da produção nacional. Quando tratado apenas do conilon, o Estado ocupa o primeiro lugar, com 72 % da produção do Brasil. Se fosse um País, o Espírito Santo seria o terceiro maior produtor mundial, perderia para o próprio Brasil e Vietnã.


O café está presente em todos os municípios capixabas, exceto Vitória, sendo o maior gerador de empregos no Estado. A cafeicultura é a principal atividade econômica em 80% dos municípios e representa, sozinho, 43% do PIB agrícola do Estado. Toda cadeia que envolve o café gera aproximadamente 400 mil postos de trabalhos por ano, e só no setor de produção é envolvido 131 mil famílias. A produção que gera esse grande negócio é obtida prioritariamente por produtores de base familiar, com tamanho médio das lavouras em torno de 4,8 hectares para o café arábica e 9,4 hectares para o café conilon.


 


Ana Carolina Marchesi


 


 


 


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