Lista foi feita para facilitar vistoria pelos técnicos da UE

por admin_ideale

 


A lista das 106 fazendas credenciadas a exportar para a União Européia pode ter sido feita apenas para facilitar a vistoria dos técnicos do bloco econômico, que ocorre até o dia 11 de março. A maior parte das propriedades tem rebanho de 600 animais ou menos – inclusive aquelas localizadas em estados que tradicionalmente têm grandes plantéis, como Goiás e Mato Grosso – segundo levantamento preliminar feito por este jornal. Em Minas Gerais, onde estão 87 estabelecimentos rurais habilitados, o governo estadual admite que o tamanho médio do rebanho é de 600, sendo que em Araguari (cinco autorizadas), não passa de 350. Uma das fazendas de Mato Grosso procurada por este jornal não tem nem 200 animais; outra, no Rio Grande do Sul, nem 100.


“Com um rebanho menor, há maior capacidade de controlar a regra. Assim, a dúvida que os europeus tinham de o governo controlar a rastreabilidade fica dissipada”, diz uma fonte, que foi funcionário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O pecuarista Valter José Pötter, de Dom Pedrito (RS), que tem uma propriedade com 7,2 mil animais e estava na primeira lista, de 2.681 fazendas, diz que “a informação que se tem é que grandes propriedades não entraram”. No Rio Grande do Sul foram selecionadas 11 fazendas. “Acredito que esta amostragem foi para satisfazer uma auditoria inicial. Vistoriar fazendas de grande porte é difícil. Como precisavam de uma lista para mostrar que é possível fazer a rastreabilidade, apresentaram esta”, afirma Pötter. Ele irá questionar o governo sobre a sua não inclusão – mas não pensa em acionar judicialmente. “Acho que se modifica rapidamente a lista, incluindo outras”.


“A lista é para europeu ver mesmo. O pecuarista comercial ainda não se encaixou no novo Sisbov”, diz o analista Paulo Molinari, da Safras & Mercado. Na sua avaliação, não interessa se há fazendas de genética e leiteiras – como este jornal antecipou na sexta-feira -, nem se são de pequeno ou médio porte. “A parte positiva não está no volume, nem na característica das fazendas. O que interessa é que o ambiente de relação entre o Brasil e a Europa mudou”, afirma.


Critério


O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Inácio Kroetz, nega que o critério de tenha sido o tamanho da propriedade. ” Tem pequena, média e grande. Tudo isso é relativo. Uma fazenda grande em um estado é pequena em outra”. Segundo ele, o único critério foi a conformidade com as normas.


Entre as 11 propriedades listadas no Rio Grande do Sul está uma fazenda experimental da Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro). Ou seja, cuja atividade fim não é o abate.


“Apenas o resíduo da pesquisa é vendido para o abate”, diz o responsável-técnico pela unidade da Fepagro em Tupanciretã, José Flores Savian. Segundo ele, a fazenda rastreia todos os animais – atualmente são 60 – desde que o Sisbov foi criado, pois na época havia um calendário para que todas as propriedades rurais do País aderissem ao sistema. “Por ser uma entidade estatal, tínhamos de estar dentro das normas”. A Fepagro tem cinco unidades – com 2 mil animais no total – mas as demais não estão na lista.


Gazeta Mercantil


 

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