Dois anos para a recuperação das vendas de carne

por admin_ideale

 


A missão veterinária da União Européia, em visita ao país para auditar uma lista preliminar de 150 fazendas aptas a exportar para o bloco, acredita que serão necessários ao menos dois anos para que o Brasil tenha um número suficiente de propriedades habilitadas para garantir um volume razoável de carne bovina.


Os especialistas europeus estimam que até lá o Brasil deve chegar a 2,5 mil propriedades autorizadas, segundo apurou o Valor. Nos próximos sete ou oito meses, estimam os europeus, será possível habilitar, no máximo, entre 800 a 1 mil fazendas brasileiras. Ao fim de um ano do início da auditoria, poderia se chegar a 1,5 mil propriedades, avaliam fontes da UE. As dificuldades em acelerar a habilitação residem nas pressões internas feitas pelo lobby agrícola irlandês e britânico e na avaliação negativa de autoridades sanitárias européias sobre as garantias oferecidas pelo sistema de rastreamento de bovinos (Sisbov). Um exemplo foi a redução da lista preliminar das fazendas, operada sucessivamente desde o fim de janeiro, de 2.681 até 150 da semana passada. “Se reduziram é porque não tinham certeza da qualidade das fazendas. Por isso, temos que ir com muita calma”, disse uma graduada fonte européia.


Nas visitas de campo, que devem começar hoje, os europeus serão duros, vão cobrar resultados de auditorias anteriores e querem, mais do que ver o que foi feito até aqui, detalhar o cronograma do que ainda se fará para melhorar a situação. Nas conversas preliminares, as autoridades européias têm insistido muito com os dirigentes do Ministério da Agricultura na transferência das funções de fiscalização do governo federal para as agências estaduais. Ao ministério, caberia apenas a auditoria do sistema, exatamente como é feito na UE. Outra preocupação dos europeus tem sido a mistura dos negócios das empresas certificadoras do Sisbov e de alguns frigoríficos exportadores de carne. A UE insiste que as empresas precisam buscar padrões internacionais do tipo ISO, além de garantir sua independência em caso de conflito de interesses com eventuais acionistas.


Em conversas reservadas, os europeus mostram se preocupados com o “ruído” das brigas internas no Brasil e com os ataques do Congresso ao ministro Reinhold Stephanes. Nas trocas de impressões sobre a situação brasileira, também vieram à tona conversas sobre a urgência de garantir o controle do trânsito dos animais entre Estados habilitados e não habilitados para exportar à UE, além de questões ligadas ao bem estar animal. Este tema tem mobilizado os consumidores europeus, preocupados com as condições de criação e abate dos animais.


Valor Econômico

Você também pode gostar

Reset password

Enter your email address and we will send you a link to change your password.

Powered by Estatik

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Vamos supor que você está de acordo, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar