Referência na formação e inclusão dos jovens rurais capixabas, o Programa de Valorização da Juventude Rural, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), desde 2008, foi um dos vencedores do Prêmio Dom Luiz Gonzaga Fernandes.
A premiação é o reconhecimento do trabalho que já atendeu mais de 20 mil jovens, com atividades de capacitação e qualificação, em 77 municípios capixabas. A solenidade de entrega do prêmio é aberta ao público e será realizada às 16 horas nesta quarta-feira (24), no Salão São Thiago, no Palácio Anchieta.
Nesta entrevista a coordenadora do Programa e gerente da Seag, Célia Kiefer, comenta sobre as ações desenvolvidas e o planejamento para futuras ações.
Como surgiu o Programa Valorização da Juventude Rural?
Lançado em 2008, o programa conta com seis projetos: Fortalecimento dos Núcleos de Jovens Rurais para uma Cultura de Paz; Qualificação Social e Profissional; Arte do Saber; Cultura e Juventude Rural, “Plantando Árvores, Colhendo Vida”; e Processos Produtivos Sustentáveis.
Na verdade, são três pilares fundamentais que desenvolvemos com a juventude: o conhecimento, por meio das atividades de qualificação e fortalecimento dos núcleos de jovens; o acesso às novas tecnologias, por meio dos kits digital e multimídia para que os jovens tenham no campo as mesmas oportunidades dos jovens da área urbana; e o experimento de unidades produtivas sustentáveis.
Hoje temos 20 mil jovens envolvidos. Eles são os protagonistas desse importante programa, que trabalha com o estímulo ao conhecimento, o acesso à informação via redes sociais, e com várias ações de cultura, esporte e lazer. Com isso, mostramos aos jovens que o campo não é só um local de trabalho, mas um lugar de vida plena, onde eles podem ter ensino, produzir e fazer cultura.
Preparamos, com nossos parceiros, a vida desses jovens para que eles sejam protagonistas de um novo tempo.
Como as ações do programa impactam na vida dos nossos jovens do campo?
A psicanálise nos ensina que é no ciclo vital da juventude que se consolida o processo de estruturação psíquica do ser humano. O jovem e a jovem precisam encontrar nos ideais e referência os valores reais e simbólicos para a edificação de sua subjetividade.
Ao oportunizar o conhecimento de história a partir da crença cultural construída, retratando com doses fortes da realidade objetiva acerca dos processos produtivos agrícolas, da pesca, do agroturismo, entre tantas outras, e os preparando para as intervenções necessárias e desejáveis de forma sustentável, somando com muitas outras doses de poesia e emoção, da fala e da escuta, de qualidade ética e da estética, do imaginário, do simbólico, da vivência do real, estamos coletivamente permitindo a elevação da nossa juventude para um tempo de reconhecimento e respeito do social, de auto-conhecimento e de auto-estima.
Quais as perspectivas para o programa?
A partir de setembro vamos trabalhar com a gestão dos projetos das entidades que receberam os kits multimídia e digital. Sabemos que os equipamentos são muito bem utilizados, mas queremos acompanhar ainda mais de perto essas atividades e compartilhar com as demais entidades o que cada uma vem fazendo. Queremos disseminar as práticas de sucesso entre as demais.
O prêmio
O Prêmio Dom Luís Gonzaga Fernandes foi instituído em agosto de 2004 e é uma homenagem ao religioso falecido em abril de 2003. Dom Luís foi bispo auxiliar de Vitória e membro da Comissão Teológica e Litúrgica da CNBB, membro do Departamento de Ação Social do Conselho Episcopal Latino-americano e do Departamento de Leigos, membro da Comissão Nacional Ampliada das Comunidades Eclesiais de Base e bispo de Campina Grande (1981-2001).
O trabalho de Dom Luís foi marcado pela luta em defesa dos menos favorecidos. Ele despertou consciências para a justiça, para a solidariedade e para a redução das desigualdades sociais.
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