Os bons resultados obtidos com a cafeicultura em Brejetuba – maior produtor de café arábica no Estado – chamaram a atenção de agricultores de Alto Rio Novo, que, na última quarta-feira (17), participaram de uma excursão técnica ao município. O grupo conheceu as propriedades que se destacam na qualidade do fruto e as iniciativas do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) em benefício da atividade.
Fizeram parte da visita 12 cafeicultores, o presidente da Associação de Agricultores Familiares de Alto Rio Novo, José Manoel Maforte, e o secretário municipal de agricultura, José Pirez da Luz, acompanhados do extensionista do Incaper, Tiago Santos. Em Alto Rio Novo, são cultivados arábica e Conilon, sendo em maior amplitude a produção de arábica. Segundo o técnico, as condições climáticas, de solo e altitude de Alto Rio Novo, são bem similares às de Brejetuba.
“Por serem regiões tão parecidas, queríamos descobrir como alavancar a nossa produção e a qualidade, de forma que os agricultores conquistassem um maior retorno financeiro, já que nosso café é vendido a um preço mais baixo que o de Brejetuba. Essa viagem foi o ponto de partida para grandes conquistas em nosso município, já que nossa produtividade, apesar de não tão expressiva, tem tudo para aumentar. Dentro de dois a três anos temos a previsão de um grande aumento no número de sacas produzidas e área plantada”, comenta.
Inicialmente, os visitantes conheceram a sala de prova do café, onde receberam instruções sobre os métodos utilizados para degustação e classificação do fruto. O local foi inaugurado em 2001 e já completou dez anos de auxílio aos produtores no município. Os visitantes também visualizaram como é feito o atendimento ao cafeicultor, que leva as amostras para identificação e recebe orientações no caso da necessidade de melhorias e em como potencializar, ainda mais, a qualidade do café cultivado.
Tiago comenta que a escolha dos visitantes convidados para a excursão se baseou em agricultores que irão disseminar o conhecimento que adquiriram com colegas e aplicar as técnicas utilizadas em Brejetuba. “Ficamos muito empolgados com o que vimos. Os cafeicultores se surpreenderam em como o tratamento dado ao café pode influenciar no valor que será cobrado pelas sacas. A sala de prova chamou bastante atenção, pois é um retorno do que está bom e o que pode ser melhorado”, diz.
Em seguida, o grupo visitou duas propriedades na Comunidade Vargem Grande, dos agricultores Renato e José Côco. Nas fazendas, conheceram as técnicas de pós colheita utilizadas: sistema de terreiro com cobertura, secador de café híbrido e estufa. Ainda acompanharam as práticas e tratos culturais que fazem com que as propriedades mantenham a qualidade e relatos desses agricultores por serem assistidos há cinco anos pelo Incaper, seguindo todas as orientações que são passadas.
Para o agricultor Moacir Francisco da Silva, da Comunidade Córrego Água Limpa, em Alto Rio Novo, a busca por parcerias lhe chamou a atenção em Brejetuba. “Há uma união fortalecida entre os produtores rurais do município. Acredito que a partir do esforço conjunto conseguiremos melhores resultados. E o Incaper está presente para nos auxiliar nesse sentido”, diz.
Por fim, conferiram uma novidade na fazenda do agricultor Claudinei Lourenço, na Comunidade Córrego Jacutinga. Trata-se de um descascador de baixo custo, que custa em média metade do investimento de um convencional, devido às adaptações e mecânica simples que possui. O equipamento é uma iniciativa do Incaper, desenvolvido pelo extensionista Fabiano Tristão, e está presente em quatro propriedades de Brejetuba. O descascador pode ser utilizado por cafeicultores que produzem até 200 sacas por ano, ou seja, pequenos produtores.
Em Brejetuba, a previsão para este ano é que sejam produzidas cerca de 400 mil sacas de café arábica, sendo que em 2010 a colheita girou em torno de 350 mil sacas. Ao todo, são 1.200 propriedades envolvidas na cafeicultura, com 16 mil hectares de plantações. Já no em Rio Novo do Sul, a produção média é de 30 mil sacas de arábica e de sete mil de Conilon por ano e , entre arábica e Conilon, com um total de aproximados cinco mil hectares de áreas de plantio. O café está presente em 80% das propriedades do município, não fazendo parte apenas das fazendas de eucalipto e pecuária.
Ana Carolina Marchesi
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