Depois de onze
anos, a Embrapa Cerrados, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento, está chegando ao estágio final da pesquisa sobre o uso do
estresse hídrico em café irrigado. A técnica desenvolvida consiste em deixar as
plantas sem água, na condição de estresse hídrico, durante um período de 72
dias, sendo o período ideal entre 24 de junho e 4 de setembro. Nesta situação,
a floração se dá de maneira uniforme e os grãos cereja aparecem ao mesmo tempo.
De acordo com o
coordenador da pesquisa, o pesquisador da Embrapa Cerrados, Antônio Guerra, com
a utilização desta tecnologia, foi constatado um aumento de frutos cereja
superior a 50%. “Isso proporciona melhoria na qualidade do produto, tanto
no aspecto físico, quanto na qualidade da bebida”. Com relação à
produtividade, os ganhos chegam a 15%, “devido ao melhor enchimento de
grãos e à redução de grãos defeituosos”, explica o pesquisador.
O modelo também
promove a queda no custo da produção. Cerca de 35% da água e da energia
necessária para irrigação são economizadas. Para Guerra, trata-se de uma ótima
alternativa ao produtor. “Não há necessidade de investimento e é possível usar
a água economizada para outras finalidades”, explica. O pesquisador é
engenheiro agrícola e PhD em engenharia de irrigação.
Cafeicultores da
Bahia, de Goiás e Minas Gerais participam da pesquisa e já utilizam a técnica.
A Embrapa estima que mais de 10 mil hectares de café sejam cultivados com o
método. O produtor Guy Carvalho utiliza o período de estresse hídrico há 5 anos
e confirma a eficácia. “Melhorou a qualidade do nosso café e colaborou com a
produtividade”, comemora.
A pesquisa foi
desenvolvida por uma equipe multidisciplinar com especialistas em engenharia
agrícola, fisiologia da planta, nutrição, agronomia, controle de pragas e
doenças, que analisaram todos os aspetos do sistema. A Embrapa recebe apoio de
universidades, produtores, empresas privadas e instituições. “O trabalho em
conjunto é fundamental para que o projeto seja viabilizado”, afirma o
coordenador Antônio Guerra.
Débora Bazeggio
Comente esta notícia. Clique aqui e mande sua opinião.
(É necessário colocar nome completo, e-mail, cidade e o título da notícia comentada. Todos os comentários enviados serão avaliados previamente. O Portal Campo Vivo não publicará comentários que não sejam referentes ao assunto da notícia, como de teor ofensivo, obsceno, racista, propagandas, que violem direito de terceiros, etc.)
Siga o Campo Vivo no Twitter @CampoVivo
O Campo Vivo também está no Facebook

