A cana de açúcar é uma planta de alta atividade fotossintética e de inegável contribuição ao meio ambiente. Infelizmente, continuam sendo pouco reconhecidas suas características que a tornam singular, por sua função ambiental e por se constituir em matéria prima para produção de um dos alimentos mais baratos do mundo, o açúcar, e por produzir combustível limpo, o etanol.
Trata-se de uma cultura classificada como C4 e, portanto, uma das maiores seqüestradoras de carbono da atmosfera. As plantas C4 apresentam elevada taxa de fotossíntese líquida e possuem uma afinidade extraordinariamente alta por CO2. Isto está relacionado com o fato destas plantas quase não realizarem fotorrespiração, aumentando assim a taxa fotossintética.
Não somente a cana é a maior sequestradora de carbono do planeta, como também se revela de alta liberação de oxigênio. Neste processo de sequestrar carbono e liberar oxigênio, a cana é considerada a FAXINEIRA DA ATMOSFERA, sendo merecedora de mais atenção: Para cada um equivalente de energia que consome no seu processo produtivo, retorna nove vezes mais, caracterizando-se como geradora de ativos ambientais raros neste modelo de matriz energética altamente deficitário em que vivemos.
Se pensarmos no seu cultivo, trata-se de uma das explorações agrícolas que menos utilizam defensivos, já que suas doenças são controladas por meio da engenharia genética, e a maioria de suas pragas é controlada através de agentes biológicos.
Além disso é uma das explorações que menos revolvem o solo, ou seja, somente ocorrem nas renovações dos plantios. Em solos de clima tropical, quanto mais de revolve o solo, pior fica, pois acelera a mineralização. Remover o solo vez ou outra é até benéfico, pois se controla inúmeras pragas de solo e inclusive ervas daninhas.
Sendo uma gramínea de alto perfilhamento, quando plantada em nível nas glebas declivosas, acaba por controlar a erosão de maneira significativa. Na correção e fertilização do solo, adotam-se os procedimentos extraídos de inúmeras e constantes pesquisas regionais, que possibilitaram formulação de curvas de calibração dos nutrientes requeridos pela planta, e ainda leva-se em consideração a adequação ambiental de cada material genético e o cenário econômico da atividade, havendo, portanto, uma adequação consistente entre tecnologias, meio ambiente e lucratividade.
Com relação à utilização dos resíduos gerados nas cadeias de processamento da cana (VINHAÇA; BAGAÇO; TORTA DE FILTRO; CINZA DAS CALDEIRAS; ETC), adota-se procedimentos técnicos e ambientais com base em pesquisas cientificas locais e regionais, desenvolvidas pela própria iniciativa privada e por Universidades parceiras.
O único defensivo utilizado são aqueles destinados ao controle de ervas aninhas e que, com a opção pela colheita de cana sem queima, acaba deixando sobre o solo uma camada de material vegetal triturado que representa de 10 a 15 t / ha / ano, ajudando sobremaneira no controle das ervas, reduzindo cada vez mais a utilização de herbicidas.
Pelos fatos expostos, podemos considerar a lavoura de cana de açúcar como uma das mais ecológicas, dentre todas as explorações agropecuárias relevantes, já que socialmente a cadeia do agronegócio sucroalcooleiro também gera milhares de empregos.
Infelizmente, esta lavoura nunca teve o reconhecimento, via preços adequados, por ser ambientalmente sustentável e por produzir um combustível limpo e sadio. O preço do seu combustível gerado sempre esteve atrelado aos derivados do petróleo cujos derivados mais poluem o planeta terra.
Nelson Elio Zanotti
Engenheiro Agrônomo, Consultor em Agroenergia e Especialista
em Gestão Ambiental.
Wolmar Roque Loss
Engenheiro Agrônomo, Mestre em Economia Rural e
Desenvolvimento Econômico
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