Lista para UE deve ter 300 fazendas; ES pode ficar de fora

por admin_ideale

 


Apesar do tom sigiloso que envolve a nova lista de fazendas aptas a exportar para a União Européia (UE), aparentemente o governo bateu o martelo e decidiu apresentar na segunda-feira aos europeus o nome de 300 propriedades localizadas nos Estados de Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte de Mato Grosso.


A partir da lista, os veterinários europeus escolherão, no máximo, 30 fazendas que começarão a ser vistoriadas já na próxima semana. Da lista não constam fazendas localizadas no Espírito Santo e Minas Gerais, Estados que também fazem parte da área habilitada para fornecimento de animais para frigoríficos que vendem para o bloco.


O Ministério da Agricultura não confirma a lista de 300 fazendas e nem que os dois Estados estarão de fora do bloco. Fontes comentaram, no entanto, que a pressão dos Estados pode resultar em modificações até a data da reunião com os europeus.


EXIGÊNCIA. A apresentação de uma lista de 300 propriedades atende ao pedido das autoridades européias. Uma primeira lista de 2.681 fazendas foi apresentada em janeiro em Bruxelas, mas os países do bloco não aceitaram a relação. A apresentação de uma lista muito maior do que o esperado levou a UE a suspender as importações de carne do Brasil a partir do dia 1º de fevereiro. Uma segunda lista, apresentada na semana passada em Bruxelas, trazia cerca de 520 propriedades.


A visita dos veterinários europeus foi tema de reunião realizada ontem, em Brasília, entre governo e representantes da iniciativa privada. Após reunião do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), representantes do governo não deram declarações à imprensa.


Apesar das declarações de que a reunião foi positiva, representantes da iniciativa privada defenderam que o governo defina “claramente” os papéis de cada elo da cadeia produtiva da carne. Representantes da iniciativa privada disseram que aceitam dividir responsabilidades, desde que o governo exerça seu papel fiscalizador.


Frigorífico. O presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, disse ontem que o governo “tem a obrigação” de dizer o nome dos frigoríficos que exportaram carne não-rastreada para a União Européia (UE). Na semana passada o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, admitiu no Senado que o Brasil vendeu carne irregular aos europeus.


Nogueira também refutou uma declaração do ministro que disse, na terça-feira, que a cadeia produtiva também é responsável pelas regras de certificação. “Se o pecuarista fez algo errado, foi incentivado a fazer”, disse. Ele deu um exemplo que deve colocar mais lenha da fogueira na briga que envolve pecuaristas e frigoríficos no caso da rastreabilidade. “Se alguém rouba o seu toca-fitas é porque há um receptador”, afirmou.


COBRANÇA. Nogueira cobrou do governo uma posição mais firme do governo em relação às exigências da UE para compra de carne bovina. “O governo tem que assumir a sua função. Essa é a posição dele”, argumentou sobre a possibilidade de o Brasil recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC) para questionar as regras impostas pela UE para a compra de carne brasileira.


O presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), José Olavo Mendes, disse, após a reunião, que a intenção do governo é apresentar na segunda-feira uma lista de propriedades aptas a exportar para a UE. “O governo deixou claro que não quer fechar a negociação com os europeus.”


Fontes da iniciativa privada disseram que representantes do governo teriam dito na reunião que a lista seria de 300 propriedades e que já teriam sido definidos os municípios que serão visitados pelos veterinários europeus a partir da próxima semana. Representantes do governo que estiveram na reunião não conversaram com os jornalistas.


Jornal do Commercio

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