Uva mais doce: produtores do norte capixaba tem nova opção na fruticultura

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cultivo de uva em são mateusO Espírito Santo possui microrregiões com condições diferenciadas de clima e solo que propiciam o cultivo de diversas culturas agrícolas. Na fruticultura, algumas atividades mais tradicionais são conhecidas pela comunidade agrícola, como o cultivo do mamão, banana, maracujá, entre outras frutas. Mas existem alternativas ainda pouco difundidas que podem torna-se uma oportunidade para os agricultores capixabas. A novidade que muitos não esperavam é que a uva pode se tornar uma nova promessa no agronegócio capixaba com pesquisas que estão sendo realizadas.

E o mais surpreendente ainda é que a videira está atravessando fronteiras, quebrando barreiras e começando a ser cultivada no Norte do Espírito Santo, região com clima mais quente diferente dos municípios mais tradicionais no cultivo da uva no Estado.  “O clima mais quente beneficia a planta que produz mais açucares dando uvas muito mais doces”, revela o professor e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em São Mateus, Marcio Czepak, referência estadual na cultura da uva.

Assim está acontecendo na propriedade do produtor Ézio Sena, do município de São Mateus, que já cultiva café conilon, pimenta do reino e também está preparando uma área para o cultivo da macadâmia, e, agora, começou a investir no cultivo da uva em uma área de 0,25 hectares com 330 pés da fruta. “Comecei a cultivar, fazer os enxertos diretamente no campo em outubro de 2014 e enxertando em julho de 2015. Agora estou fazendo a terceira safra”, comemora o produtor.

Mesmo sendo uma novidade e um desafio, o produtor já está satisfeito com os resultados. “Ainda estamos aprendendo a trabalhar com a uva, pois é novidade nesta região. Infelizmente nossa mão de obra é deficitária e as práticas de cultivo ainda não estão bem dominadas, mas temos recebido o apoio técnico de pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) aqui em São Mateus”, diz Sena.

De acordo com o professor da Ufes, os solos mais indicados para o plantio da uva devem ser bem drenados, já que a uva não suporta solos encharcados. As variedades mais indicadas para essa região são as uvas Niagara, Isabel Precoce, Benitaka, Rubi e Itália. Para ele, como o Norte do Estado apresenta um clima mais quente do que o das regiões mais tradicionais no plantio da fruta, são necessários alguns cuidados específicos, como a utilização de porta-enxerto adaptado ao clima tropical e a pulverização contra doenças, como míldio, em períodos mais úmidos do ano. “O manejo da lavoura também requer uma atenção especial, como um bom preparo do solo, com calagem, fosfatagem e adubação orgânica de cova, pulverizações para controle de pragas e doenças, podas, desbrotas e ainda o manejo do cacho com raleio (para os cultivares finais de mesa)”, explica Czepak.

Ainda segundo o pesquisador, existe um projeto de pesquisa em andamento feito com uvas de mesa e uvas para suco e vinho. “Este trabalho estamos realizando em conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Uva e Vinho. Estamos avaliando o comportamento dos clones de uva sem semente Isis e Vitória e uvas com sementes Nubia. Nesta pesquisa, ainda analisamos o melhor porta-enxerto para nossa região que deve ser adaptado ao clima quente e seco do Norte do Espírito Santo”, diz o pesquisador, que avaliará ainda as uvas Niagara e Isabel, esta última destinada à produção de sucos e vinho de mesa.

Uma característica muito importante já verificada no trabalho de pesquisa entre a Ufes e a Embrapa é a boa adaptabilidade das uvas Isis e Vitória, esta última com um grande potencial de mercado por ser uma uva com sabor muito peculiar, lembrando amoras, o que atrai mais ainda o interesse dos consumidores. Outros resultados já podem ser observados no comportamento positivo das videiras para mesa Benitaka, Rubi, Itália e Niagara, alcançando elevadas produtividades com grande qualidade. “As uvas produzidas no Norte do Espírito Santo apresentam-se muito doce e com uma coloração muito intensa. O que é mais relevante para nossa região é que aqui podemos produzir uvas o ano todo e ter duas safras anuais, o que não é possível em outras regiões. Em experimentos realizados com uvas viniferas e analisadas as características do vinho obtido, podemos afirmar que o vinho produzido aqui apresenta qualidade excepcional não devendo nada para os vinhos produzidos nas regiões tradicionais do país”, destaca Márcio Czepak da Ufes.

As notícias iniciais animadoras da pesquisa têm motivado o produtor Èzio Sena a investir na atividade.

E investir nessa cultura, sempre foi um desejo do produtor. “Sempre tive vontade de me aventurar na produção da uva. Estou satisfeito com a iniciativa e, dentro das possibilidades financeiras e de conhecimentos, pretendo ampliar meu pomar”, diz entusiasmado.

Reportagem publicada na revista Campo Vivo – Edição 32

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