Futuros do café encerram agosto em terreno negativo

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Os contratos futuros do café oscilaram pouco nos mercados internacionais nesta semana e, assim, encerram o mês de agosto acumulando perdas. Do final de julho a ontem, o vencimento dezembro do contrato “C” acumulou queda de 7,8% na Bolsa de Nova York, fechando a US$ 0,9525 por libra-peso. Na ICE Europe, o vencimento novembro do café robusta encerrou a quinta-feira a US$ 1.325 por tonelada, com declínio mensal de 3,1%.

Em agosto, segundo analistas, as cotações foram pressionadas pelo avanço dos trabalhos de cata da safra 2019 do Brasil e por especulações sobre o tamanho da colheita 2020. As cooperativas cafeeiras brasileiras, contudo, lançaram manifesto afirmando que o país não colherá volume recorde no ano que vem.

Conforme as instituições, a produção de 2020 será inferior à de 2018 em função do impacto do clima. O cinturão cafeeiro nacional enfrentou falta de chuvas no período de enchimento dos frutos e precipitações na colheita, impactando a safra 2019, além das geadas em julho, que causaram perdas na temporada atual e reduzirão a oferta em 2020.

O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, alerta que os baixos tratos culturais também interferirão na produção do país no ano que vem.

“A redução nos cuidados com os cafezais se dá pelos fracos preços que perduram ao longo dos últimos anos. Somando-se isso ao impacto das adversidades climáticas, certamente não passaremos nem perto de uma safra recorde”, argumenta.

“Esse cenário, porém, poderá gerar uma recuperação nas cotações em breve, mas prever qual será a escalada que veremos no mercado é trabalhar com o ‘cabalístico’”, completa.

Também do lado negativo está o desempenho do dólar comercial, que vem se fortalecendo ante moedas dos países produtores e pressionando o valor das soft commodities, como o café. De 31 de julho (R$ 3,8173) até ontem, a divisa acumula valorização de 9,3%, cotada a R$ 4,1717.

Em relação ao clima, a Somar Meteorologia informa que o tempo muda em parte do Sudeste no domingo, com uma frente fria chegando a São Paulo e, acompanhada por área de baixa pressão atmosférica, aumenta as instabilidades.

Há previsão de chuva no fim do dia, mas sem volumes significativos, na maior parte paulista, no sul de Minas Gerais e na maioria do Rio de Janeiro. O restante da Região fica com tempo firme e seco.

No mercado físico, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta que as cotações do café arábica avançaram nos últimos dias, impulsionadas pela retração vendedora e pelas altas do dólar. Os ganhos, principalmente no início de semana, atraíram vendedores ao mercado, cenário oposto ao verificado na maior parte da semana anterior.

Para o robusta, os preços também subiram nos últimos dias devido à apreciação do dólar e à maior demanda pela variedade, contexto que aumentou a liquidez interna, com negócios sendo fechados tanto no mercado físico – inclusive para a exportação – quanto no futuro.

Os indicadores calculados pela instituição para os cafés arábica e conilon encerraram a quinta-feira a R$ 415,64/saca e a R$ 292,08/saca, respectivamente, com valorizações de 1,4% e 1,9%.

CNC

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