CAMINHOS DO CONILON – Entrevista com Altamir Biancardi

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Em entrevista ao Programa Campo Vivo, na Rádio Sim FM (106.1), o gerente da Pianna Rural, Altamir Biancardi, falou sobre a colheita mecanizada do café conilon e formas de financiamento das máquinas. Confira:


 

O mercado é outro fator preocupante. O presidente da Cooabriel diz que o cenário não é tão favorável já que o mercado está em baixa. “Para termos uma ideia, uma conversão de café em dólar mostra a disparidade. Em 2015, por exemplo, o preço de uma saca de 60kg de café (conilon tipo 7) no mercado estava a U$102,14 (dólares), já em 2019 a saca caiu para U$76,34 (dólares). A situação é complicada pois o preço do café está abaixo do esperado e o custo de produção está alto devido à disparada dos preços dos insumos.  São altas as despesas e o custo dos insumos desfavorece o investimento”, destaca o cooperativista e produtor.

Já na região serrana capixaba, o especialista do mercado de café da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi), João Elvídio Galimberti, avalia que apesar das recentes ondas de calor que houveram em alguns períodos em janeiro, com chuvas abaixo da média em algumas regiões, de maneira geral, há um consenso que a safra de café conilon, principalmente, será maior do que a do ano passado. “Quanto ao arábica não. O arábica esse ano é de bianualidade baixa, portanto a produção será menor. Agora aguardamos o início da colheita pra ver o rendimento, porque é sabido que algumas regiões podem ter sido afetadas. Na média, o que pode acontecer com relação a previsão que existia, que era para uma produção elevada, é uma quebra talvez entre 10 e 12%, mas mesmo assim ainda é um bom volume de café que vai ser colhido no Espírito Santo”, diz Galimberti.

Devido a proximidade com relação a colheita e com um estoque relativamente confortável da safra 18/19, o especialista em mercado diz que as indústrias não tem vindo ao mercado comprar café para repor ou deixar em estoque, porque elas imaginam que vão ter o produto em quantidade em preços mais baixos do que os praticados atualmente. “Elas olham pra esse cenário e dizem ‘não teremos aperto de oferta’ e acabam não vindo para o mercado com pressa para colocar café em estoque. Estão aguardando na expectativa de que vão ter café a preços mais baixos”, pontua João Elvidio que acredita que para a safra 2019/20, que está em desenvolvimento, esse cenário de preços mais baixos deve persistir. “Já estimamos um aumento em torno de 5, 6% nos custos de produção de uma forma geral e isso deixa as margens dos cafeicultores muito sacrificadas, que já estão negativas. Com isso já começam a vir alguns movimentos de que há necessidade de reuniões para debater temas de interesse da cadeia produtividade do café, dentre eles, o atual cenário de preços do setor”, diz o representante da Coopeavi.

 

Para termos uma ideia melhor de como está a realidade para os produtores hoje, com queda no preço da saca no mercado e alto no custo de produção, comparamos, de acordo com dados da Cooabriel, a alta de alguns insumos e outros itens de produção, no período de 2015 a 2019 (base fevereiro).

– fertilizantes (20 00 20) – alta de 41%.

– cloreto de potássio branco – alta de 40%.

– defensivos – alta de mais de 20%.

– ureia – alta de 44%.

 

Relação da conversão de ureia em café.

Ano Quantidade de sacos de ureia Sacas de café
2015 2,26 sacos 01 saca
2016 5,47 sacos 01 saca
2017 6,71 sacos 01 saca
2018 4,37 sacos 01 saca
2019 2,92 sacos 01 saca

 

Alta também na energia e combustível que subiram mais de 50%

A mão de obra subiu 40% e assim mesmo, com dificuldades de encontrar trabalhadores para a safra. Hoje, a mão de obra e o preço são grandes gargalos, seguido do custo com transporte que representa um grande desafio para a produção.

Redação Campo Vivo

Parte de matéria publicada no Projeto Caminhos do Conilon, na Edição 41 da Revista Campo Vivo


 

O mercado do café sempre é uma dúvida para os produtores, considerando que diversos fatores podem interferir na lucratividade final, como as condições climáticas, os preços praticados, os valores pagos nos insumos, entre outros. Após mais um ano de preparação da lavoura, a expectativa da safra de café para 2019 no Espírito Santo é positiva em relação ao volume produzido mas os custos de produção tem preocupado a rentabilidade da cadeia produtiva do café.

De acordo com o pesquisador, mestre em produção vegetal e coordenador de café do Incaper, Abraão Carlos Verdin Filho, a expectativa da safra para o café em 2019 é grande, considerando que, segundo o 1º levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Espírito Santo tem condições de aumentar a produção em relação ao ano de 2018. “Ano passado produzimos aproximadamente 8 milhões e 900 mil sacas de café. A primeira prospecção para 2019 está variando na faixa de 9.400 a 11 milhões e 200 mil sacas. Então imaginamos que a produção vai ser superior nesse ano, mesmo com algumas dificuldades que o setor cafeeiro vem tendo neste momento”, diz.

Para Verdin, a estimativa da colheita considerando a produtividade de 2018, é boa. “A produtividade de 2018 foi em torno de 38.85 sacas por hectares para o conilon no Espírito Santo. Como estamos imaginando ter um aumento de produção em todo o Estado, na faixa de 15 a 20%, e essa área de plantio ou renovação não aumenta mais do que isso todo ano, provavelmente essa produtividade vai ser superior ao ano de 2018. Estamos estimando de 40 a 42 sacas de hectares para o ano de 2019″, avalia o pesquisador.

Considerando o cenário climático previsto para este ano, a partir de agosto começam os preparativos essenciais para uma safra positiva no ano seguinte, como poda, desbrota e irrigação das lavouras. Para a safra atual, o fator climático colaborou  com chuvas regulares em todo o Estado até dezembro. “Então se falarmos para a florada, o chumbinho e chumbão, esse cenário climático foi positivo”, diz Verdin. Porém, a falta de chuva e altas temperatuas no final de 2018 e primeiros meses deste ano, com determinadas regiões no Estado ficando cerca de 40 dias sem chuva, proporcionou um impacto significativo na produção. “Devido a esses fatores, com certeza essa produção e produtividade que tínhamos previsto, devem ser reduzida um pouco.

Teremos sim uma produção menor do que se tivesse chovido regularmente em Janeiro. E isso afeta a produção, o tamanho do grão que vai ficar menor já que não cresceu devido a falta de água. Ha prejuízos sim, existe uma perda, mas ainda é difícil de afirmar qual a porcentagem que isso pode ocorrer, considerando que a variação das condições de clima nas regiões. Mas mesmo assim consideramos que a produção para 2019 até o momento vai ser maior do que para 2018”, avalia Verdin.

Para o produtor de café, Leonardo David Contadini, que tem propriedade no distrito de São Rafael, na comunidade de Humaitá, em Linhares, não há como dar certeza e falar sobre a produção de acordo com a condição climática, mas a expectativa no “chutômetro” devido a condição climática ter apertado a partir do final de 2018 e o começo deste ano, é de queda de 10 a 15% na produção prevista.

Produtor Leonardo David Contadini

Quanto aos preços, o produtor ressaltou que a categoria está bem desanimada, mas segue confiante que haverá melhorias. “Conseguimos fechar um percentual pequeno de produção num preço adequado e estamos na expectativa de durante a safra subir um pouco isso para chegar num valor adequado que remunere num capital eficiente para nós, produtores”, acredita o cafeicultor.

Na região de São Gabriel da Palha, o presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), Antônio Joaquim de Souza Neto, que coordena os trabalhos de uma das principais cooperativas de café do Brasil., acredita que para a safra para o café em 2019 a expectativa é de que o Espírito Santo colha em torno de 10 milhões de sacas de conilon. “Contudo, o forte calor deste último trimestre registra queda considerável neste volume e poderemos ter produção abaixo do esperado. Nunca vi um clima tão intenso como este. A média histórica de temperatura entre janeiro a março em nossa região de produção registra temperatura entre 24 a 26 graus, mas nesse primeiro trimestre de 2019, a temperatura tem sido entre 30 a 40 graus. Um calor enorme que apesar da melhoria das chuvas, com certeza, impactará no resultado de produção e da qualidade do grão. No início falávamos em 10% de quebra de safra, mas o sol forte e calor permaneceram e este índice poderá chegar até 20% de perda estimada na região”, avalia Antonio Joaquim.

Redação Campo Vivo

Parte de matéria publicada no Projeto Caminhos do Conilon, na Edição 41 da Revista Campo Vivo


A colheita da temporada 2019/20 deve ganhar ritmo já no final deste mês na maior parte das regiões produtoras de arábica e robusta, um pouco mais cedo que o habitual, segundo indicam agentes consultados pelo Cepea.

Esse adiantamento se deve sobretudo às floradas precoces observadas em agosto de 2018 e ao clima mais quente no início de 2019, que acelerou o desenvolvimento e o amadurecimento dos grãos. Quanto aos preços, depois dos avanços do dólar e dos valores externos do café arábica no início da semana passada, alguns negócios foram fechados no spot.

A expectativa de agentes é de que, com a aproximação da safra, a liquidez aumente nos próximos dias, devido às necessidades de caixa de produtores e de escoamento do café remanescente para armazenamento do novo. Nessa terça-feira, 2, o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6 bebida dura para melhor, posto em São Paulo, fechou a R$ 384,58/saca de 60 kg, recuo de 2,1% em relação à terça anterior, 26.

Quanto ao robusta, a liquidez interna seguiu levemente mais baixa do que a do arábica, devido à retração vendedora. Nessa terça, o Indicador CEPEA/ESALQ do tipo 6 peneira 13 acima fechou a R$ 292,51/saca de 60 kg, queda de 2,7% na mesma comparação.

Cepea


A perspectiva de ampla oferta de café na safra 2018/19 e de reservas confortáveis em 2019/20 – devido, especialmente, à safra volumosa no Brasil no próximo ciclo, que começa nos próximos meses – têm pressionado os valores externos e, consequentemente, internos do arábica e do robusta.

Levantamento do Cepea aponta que com as recentes e contínuas quedas nos preços, as médias mensais atuais são as mais baixas desde janeiro de 2014 para o arábica e de dezembro de 2013 para o robusta, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de fevereiro/19). Esse cenário, por sua vez, mantém produtores retraídos do mercado, negociando apenas quando necessário.

Cepea


O projeto Caminhos do Conilon surgiu com o objetivo de difundir informações sobre a cultura dessa variedade no Espírito Santo. Neste ano, o tema abordado será a expectativa da safra de café no Estado, marcada por boa produção, mas com alto custo de produção e baixos preços no mercado.

O mercado do café sempre é uma dúvida para os produtores, considerando que diversos fatores podem interferir na lucratividade final, como as condições climáticas, os preços praticados, os valores pagos nos insumos, entre outros. Após mais um ano de preparação da lavoura, a expectativa da safra de café para 2019 no Espírito Santo é positiva em relação ao volume produzido. mas os custos de produção tem preocupado a rentabilidade da cadeia produtiva do café.

Redação Campo Vivo

 

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