O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foi submetido nesta quarta-feira (24) a uma bateria de reclamações feitas pelos deputados federais que fazem parte da chamada bancada ruralista da Câmara. Minc foi à Comissão de Agricultura para justificar as críticas que fez a ruralistas.
Para o deputado federal Ronaldo Caiado (foto) (DEM-GO), Minc “tem que satanizar alguém para esconder a incompetência do ministério”.
A afirmação foi feita em resposta a declaração do ministro, que, no fim de maio, chamou os ruralistas de vigaristas, durante manifestação da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag). No depoimento desta quarta, Minc reconheceu que havia usado expressões impróprias e disse que este não é seu pensamento.
Caiado reclamou da forma como Minc conduz a política ambiental no país e defendeu que o Brasil deve aos produtores rurais o fato de ter chegado a um superávit comercial e conseguido quitar as dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O parlamentar chamou Minc de maniqueísta. “Ele é o bem e o produtor rural é o mal. O maniquísta enxerga o branco ou o preto, não o cinza. Ele só enxerga o que quer”, ironizou.
“Vossa excelencia usou expressões indevidas. Eu pergunto: o senhor se sentiria confortável se eu dissesse que nós produtores rurais aqui defendemos a produção de arroz, de milho, de soja, carne, e que vossa excelência defende a produção de cocaína e maconha?”, comparou.
“Não se preocupe que não vamos comer sua picanha, porque não comemos carne contaminada”, completou o deputado, em referência ao fato de Minc ter afirmado no começo do mês que “tem muita gente querendo tirar uma picanha do Carlinhos Minc”.
Fiscalização
Seguindo o tom das críticas, o deputado Homero Pereira (PR-MT) acusou Minc de não fiscalizar o meio ambiente do país, mas apenas a Amazônia. “O senhor diz que é preciso fiscalizar a Amazônia, mas o senhor é ministro do meio ambiente do Brasil, e não da Amazônia. Gostaria que o senhor fiscalizasse o Brasil inteiro”.
Também em defesa da bancada ruralista, Abelardo Lupion (DEM-PR), destacou o Ministério do Meio Ambiente, que com Minc como ministro, não tem legitimidade para sentar com a bancada ruralista. “Nós aqui não podemos ficar de quatro. Fomos eleitos para fiscalizar, patra coibir abusos”. Mais cedo, Giovanni Queiroz (PDT-PA) pediu a demissão de Minc e disse que o ministro “envergonha o país”.
Apesar das fortes críticas, Minc evitou polemizar nas respostas dadas aos deputados. Ele preferiu se ater a questões técnicas e defender a políca ambiental do governo, mas chamou de “falsas e injuriosas” as acusações de Ronaldo Caiado. O ministro também agradeceu “os deputados que usaram da palavra, com a legitimidade que os mandados lhes dá” e reafirmou que retira a expressão “vigaristas”, pois ela não expressa seu ponto de vista.
G1

