Folhas amareladas por doenças provocadas pela umidade excessiva rejeitadas pelas donas de casa, e queda na produção de folhosas e temperos em virtude das fortes chuvas nas montanhas. Os problemas cruciais estão provocando prejuízos incalculáveis aos produtores de Marechal Floriano.
Desde o início do ano os cultivadores de alface, agrião, couve, brócolis, rúcula, espinafre, salsa, cebolinha e outras espécies de folhas comestíveis ou temperos passam por momentos difíceis e desanimadores.
Para manter os compromissos de entregas nos supermercados, Ceasa e quilões da Grande Vitória os produtores e comerciantes do setor viajam até 500 quilômetros para comprar mercadorias. A maioria segue para Teresópolis, no Rio de Janeiro, e retorna com os caminhões lotados para não perder a clientela da capital.
O Instituto Capixaba de Assistência Técnica, Pesquisa e Extensão Rural (Incaper) confirma a situação e atribui as infestações de doenças à chuva excessiva desde o início do ano. O técnico Ubaldino Saraiva afirma que a situação ocorre em todo o município. “É lamentável, mas somos testemunhas que os produtores estão sofrendo com a situação”, salienta.
O produtor de couve, brócolis e rúcula, Lourival Schunk, que está há mais de 40 anos no mercado, disse que a crise é a pior enfrentada pela classe nas últimas décadas. “Quem quiser comprovar vá à Ceasa para ver o esvaziamento neste setor de produção. As entregas tiveram pelo menos 70% de queda. Os preços foram lá em cima, mas não temos mercadorias para ofertar”, desabafa.
Para a comerciante de verduras Claudete Entringer, que realiza entregas numa rede de supermercados da Grande Vitória, a crise que envolve a produção e comercialização do vegetal nas últimas décadas é a pior. Os agricultores de Marechal Floriano, segundo ela, estão desesperados com a situação.
“A maioria não sabe mais o que fazer para conseguir produzir. O crescimento vegetativo é comprometido pelas doenças que invadem os canteiros dos vegetais e impossibilitam ao produtor dar continuidade à atividade que sempre foi forte em todo o município”, disse ela.
O agricultor Carmelino Entringer, que cultiva rúcula, espinafre e agrião afirma que as variedades deverão desaparecer definitivamente do mercado. “Não há uma maneira de conseguirmos produzir. Somos obrigados a quebrar um ciclo de produção. Nunca passamos por situação semelhante”, disse.
Para Nilson Schunk, de Alto Marechal, a situação não é diferente. Ele chega a afirmar que o espinafre pode ser considerado como uma cultura extinta na região. “Trabalhamos também com alface e somos obrigados a comprar em outros municípios capixabas e de fora do Estado. Estamos pagando para alimentar a população da Grande Vitória”, afirma.
Para o produtor José Roberto Espíndula, de Caracol, este é o período mais crítico da atividade de produção de folhosas, iniciada há mais de duas décadas pelos pais. “Ontem teria de levar 12 caixas e consegui colher apenas uma. A mercadoria não existe mais em quantidade como antes, já que as doenças provocadas pelo excesso de chuvas determinam o fim desta atividade”.
Roberly Pereira – Folha Vitória

