Na Bolsa de Nova York (Nybot), a mesma tonelada de cacau que inaugurou o pregão de março negociada a US$ 2.213 para entrega em maio chegou ao final da semana passada a US$ 2.790, aí já para entrega futura em julho – alta de 26%. Do remoto 15 de janeiro, quando da menor cotação do ano, até a última semana, os contratos de cacau com maior volume de negociação na Bolsa de Londres registraram valorização de 15%.
Os contratos de cacau com vencimento em julho fecharam a primeira semana de abril em alta de 3,33%, cotados a US$ 2.790 a tonelada, na Nybot. Em Londres, o preço dos contratos para julho aumentou 1,20% no pregão de sexta-feira, cotados a 1.940 libras a tonelada. É o maior patamar registrado nas últimas oito semanas.
De acordo com Thomas Hartamann, analista da TH Consultoria e Estudos de Mercado, existem pelo menos quatro fatores de sustentação dessa escalada protagonizada pelo cacau tanto em Nova York quanto em Londres. “O fraco desempenho das safras africanas é um deles”. De outubro até o final de março, apenas 855 mil toneladas do fruto foram despejadas nos portos da Costa do Marfim, maior produtor mundial. No mesmo período da safra anterior a quantidade de cacau colhida chegava a 1,025 milhão de toneladas, queda de quase 20%.
“O retorno gradual dos fundos de investimentos ao mercado futuro contribuiu para essa alta acentuada em março”, complementa o analista. Segundo ele, no referente período a posição especulativa na Nybot aumentou em 4 mil contratos. “As flutuações cambiais também definiram esse cenário de valorização”, afirma Hartamann.
O quarto e último fator seria a medida do consumo, mensurada a partir da moagem de cacau. “Mas a quantidade de cacau demandada pelo mercado até agora ainda é desconhecida”, pondera. O analista chega a considerar a possibilidade de queda, mesmo diante de um aumento do consumo de doces e chocolates já sentido pelo mercado americano. “Temos de concreto apenas um aumento nas receitas e uma queda no consumo de chocolates com alto teor de concentração de cacau”, pontua Hartamann.
Essa valorização, mais moderada, se estendeu até as commodities agrícolas negociadas em Chicago. Os contratos de milho para julho fecharam em alta de 0,48% na Bolsa de Chicago (CBOT), cotados a 414,75 centavos de dólar o bushel. Os preços subiram com a sinalização de que a temperatura baixa e o clima seco vão atrasar o plantio nos Estados Unidos, prejudicando o potencial de faturamento.
Os contratos de trigo para julho fecharam em alta de 2,31%, cotados a 575,75 centavos de dólar o bushel, e culminou com a maior alta semanal do ano, graças à especulação de que o clima frio na região de Nebraska até a Georgia pode prejudicar o desenvolvimento da safra.
Os contratos de soja com vencimento em julho encerraram em alta de 1,87% na CBOT, cotados a 995,25 centavos de dólar o bushel. Foi a especulação de que a demanda pela soja dos EUA vai crescer que promoveu a alta nas cotações do grão. Os embarques americanos somaram 599,842 toneladas na semana encerrada em 26 de março, alta de 40% em relação a semana anterior, e 53% mais do que o previsto, segundo o Departamento de Agricultura do país. Os produtores argentinos limitaram as vendas ante a elevação em 35% das taxas de exportação.
Gazeta Mercantil

