Pesquisas desenvolvidas pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), serão apresentadas, da próxima segunda (06) até sexta-feira (10), no Tropical Fusarium Workshop 2009, que será realizado na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Recife (PE). O pesquisador do Instituto, José Aires Ventura, irá demonstrar as novas variedades de abacaxi (Vitória) e banana (Japira e Vitória) resistentes à fusariose, doença causadora de sérios danos à agricultura.
O encontro busca reunir pesquisadores e alunos de pós graduação de toda América Latina, com o intuito de capacitá-los sobre as técnicas modernas de estudo de fungos do gênero fusarium.
De acordo com o doutor em fitopatologia e pesquisador do Incaper, José Aires Ventura, os participantes do workshop são estudiosos renomados na área de pesquisa com a fusariose. Por isso, o convite para participação como instrutor em um evento com esta seriedade mostra que o Incaper está à frente nos estudos com doenças de plantas e demonstra a importância das descobertas realizadas pelo órgão.
Segundo José Aires, o fusarium é um fungo presente no mundo inteiro, que pode infectar plantas, animais e também pessoas. Na agricultura, o fungo é a causa de importantes doenças que podem levar à perda total da produção. Por isso, mesmo com sua grande variabilidade e complexidade de identificação, este fungo é atualmente muito estudado.
“Uma medida que o Incaper tem trabalhado para controle do fusarium é o uso de variedades resistentes à doença, como o caso do abacaxi e da banana. O resultado representa uma tecnologia barata e de fácil uso para os agricultores, além de evitar o uso de agrotóxicos nas plantações”, afirma Aires.
Além disso, o pesquisador do Incaper irá abordar também o desenvolvimento dos estudos com pimenta-do-reino e feijão.
O workshop contará com atividades teóricas e práticas, e terá a participação de oito instrutores, entre eles Sofia N. Chulze, da Argentina, Ludwig F. Leslie, dos Estados Unidos e José Aires Ventura, do Espírito Santo.
Abacaxi Vitória
Resultado de 10 anos de pesquisas, o abacaxi ‘Vitória’ foi lançado em 2006 na Fazenda Experimental do Incaper, em Sooretama. Obtido a partir da seleção e do cruzamento de híbridos desenvolvidos pela Embrapa, o ‘Vitória’ apresenta como característica mais notável a resistência à fusariose, doença causada pelo fungo Fusarium subglutinans f. sp. ananas e que provoca perdas de até 40% na produção, ameaçando praticamente todo o território nacional.
Esta nova cultivar contribui para diminuição dos custos de produção das lavouras de abacaxi, pois não há necessidade da aplicação de fungicidas para o controle da doença, aumentando a competitividade do setor e trazendo benefícios ao meio ambiente e à saúde dos produtores e consumidores.
Suas principais características são frutos com 1,5 kg, ausência de espinhos nas folhas e coroa pequena, o que facilita os tratos culturais. A variedade também apresenta dupla aptidão, podendo ser destinada tanto para o mercado de consumo in natura quanto para a agroindústria. Além disso, seus frutos apresentam polpa branca e um elevado teor de açúcares, o que lhe confere sabor e doçura inconfundíveis.
Banana Japira e Vitória
Desde o final de 2005 a bananicultura ganhou novo fôlego no cenário nacional e internacional. Após 29 anos de pesquisas, o Incaper lançou duas novas cultivares de bananeira do tipo prata, batizadas “Japira e Vitória”, resistentes às principais doenças da cultura (sigatoka-negra, sigatoka-amarela e mal-do-panamá) que ameaçavam dizimar as lavouras em todo o mundo.
De acordo com o coordenador do programa de Fruticultura do Incaper, Aureliano Nogueira da Costa, no início da década de 90, ocorreu um desestímulo no cultivo da banana no Espírito Santo em razão da grande incidência de doenças da atividade, e chegou-se a especular o fim da cultura. Entretanto, o lançamento das novas cultivares veio para reverter este quadro. De 2006 a 2008, cerca de 85 mil mudas das novas variedades já foram distribuídas aos agricultores.
Vigorosas, elas têm bom desenvolvimento, crescimento adequado e produzem frutos com excelente qualidade para o mercado. Por serem resistentes às doenças, não há necessidade do uso de defensivos, portanto são adaptadas ao modo de produção agroecológicas, o que condiz com a realidade da agricultura familiar.

