Quatro anos após assumir a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em meio a uma forte crise política, o físico Sílvio Crestana pediu, em carta ao Conselho de Administração, um inédito afastamento por dois meses. O pedido surpreendeu até seus mais íntimos colaboradores, apurou o Valor.
O afastamento colocou a empresa em situação de “suspense” em relação ao futuro dos projeto e programas em andamento. A explicação oficial menciona a necessidade de “reprogramar” atividades de pesquisa na Embrapa Instrumentação Agropecuária, em São Carlos (SP), e na Escola de Engenharia da USP. Nos bastidores, porém, as explicações seriam o desgaste provocado pelo tempo e pela distância da família.
Crestana teria confidenciado que combinou ficar por dois anos no cargo, mas já se passaram quatro. Haveria, anida, um desejo de “para por cima”, já que todas as metas e ações previstas para a Embrapa teriam sido superadas com folga nesse tempo. Mas, segundo apurou o Valor, haveria também a influência de questões políticas, como a posição polêmica adotada pela Embrapa na defesa da revisão do Código Florestal. Militantes ambientalistas de peso estariam pressionando a direção da empresa a rever sua posição considerada “muito pró-ruralistas”. A relação de Crestana com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, também é apontada como uma provável “fonte de desgaste contínuo” do físico à frente do cargo.
Nesse período de dois meses de afastamento, segundo informado ontem em nota, a Embrapa será gerida pelos três diretores-executivos. Mas alguns pesquisadores da principal instituição nacional de pesquisa no setor temem a abertura de uma corrida pela cadeira de Crestana. Pesquisadores ligados à bancada ruralista, ao PMDB ou a aliados do governo já teriam começado a pressão pelo cargo.
Valor Econômico

