Os agricultores brasileiros estão colhendo a primeira safra de milho transgênico do País, cujo cultivo de seis variedades foi autorizado em 2007 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Diferentemente do que ocorreu com a soja, quando o plantio de sementes piratas ocorreu antes da liberação, os produtores de milho observam nessa primeira temporada de cultivo alguns benefícios da nova tecnologia, como a resistência aos danos provocados pela lagarta do cartucho,
Em entrevista ao Campo Vivo, o pesquisador do Incaper, Laércio Cattaneo, falou sobre o cultivo do milho transgênico.
Campo Vivo – Os agricultores brasileiros já estão começando a colher a primeira safra de milho transgênico, alguns dizem que ainda é uma safra experimental. O cultivo de milho modificado geneticamente, realmente, é vantajoso para o produtor?
Laércio – A CTNBio, que é o órgão que controla a liberação desses transgênicos, liberou basicamente as variedades de milho que são resistentes a lagarta do cartucho. Com essa característica de resistência a lagarta do cartucho, não há desfolhamento na planta e conseqüentemente não há necessidade de aplicação de inseticidas. Com relação a variedade que é resistente a um determinado herbicida, ela resiste, por exemplo, que se aplique o herbicida, mate as plantas, sem sofrer nenhum dano. Então, com isso, segundo os plantadores de milho, diminui bastante o custo de produção e o custo de manejo.
CV – A produtividade acaba sendo maior também?
Laércio – Essas cultivares são indicadas para alta tecnologia, são cultivares que chegam a produzir 10 toneladas por hectare, e até mais. São cultivares utilizadas normalmente para agricultura de alta tecnologia.
CV – Na região norte do Estado do Espírito Santo já existem plantios de variedades de milho modificadas geneticamente?
Laércio – Não é do nosso conhecimento que existam aqui, embora haja várias variedades de milho plantadas e até alguns plantadores de milho, alguns agricultores que se utilizam de alta tecnologia. Porém, possivelmente, não há ainda plantio aqui no norte capixaba.
CV – Existem algumas críticas em relação aos malefícios que esses produtos modificados geneticamente podem causar ao consumidor. Há algum estudo que comprove que o milho transgênico possa fazer mal a saúde do homem?
Laércio – Existem vários estudos, especialmente sendo conduzidos nos EUA e em outros países de primeiro mundo, onde já se cultiva tradicionalmente esse milho. Mas não há relatos, que pudessem ser dignos de nota, de que essas variedades causem algum dano a saúde. Existe suspeita de alguns processos alérgicos, em determinadas situações, mas nada que fosse letal, que pudesse causar a morte, algum malefício a saúde. É interessante frisar que é uma tecnologia relativamente nova, especialmente entre nós, mas é muito provável que muitos de nós já tenhamos ingerido algum produto transgênico via produtos industrializados e, certamente, nem notamos. No caso da soja, já existem plantios comerciais, mesmo que em algum momento foram plantios clandestinos, e essas sojas foram transformadas em óleo e nós ingerimos esse óleo e nem notamos.
CV – Tecnicamente falando, o cultivo das variedades de milho transgênico é recomendado para os produtores?
Laércio – É necessário frisar que é uma tecnologia utilizada normalmente para grandes produtores, para produtores de alta tecnologia. Não será uma tecnologia, pelo menos agora, para pequenos produtores, porque alta tecnologia é para produtores tecnificados e, possivelmente, pelo preço da semente, o controle que se tem, até inviabilizaria para os pequenos produtores. No entanto, é bem provável que num futuro bem próximo estejamos com isso democratizado, esparramado, para todo o Brasil, para todo o mundo.

