A cooperativa dos produtores de café de Franca está com o menor estoque em 24 anos de funcionamento. O custo de produção é o maior problema do setor. Segundo os produtores, nos últimos 15 anos, o custo na lavoura subiu mais de 500%, enquanto o preço pago pelo produto, apenas 22%.
Franca é a maior produtora do café arábica no Estado de São Paulo. A variedade é uma das mais comercializadas no país. A cafeicultura gera dois milhões de empregos diretos no campo e oito milhões indiretos no Brasil. O Instituto de Economia Agrícola constatou um crescimento da área plantada. Em 2001, eram quase 37 mil hectares, ano passado, 52,5 mil.
A safra é bianual e este ano foi afetada pelas chuvas irregulares no segundo semestre do ano passado, época de florada. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento, a safra deve ser de 15% a 20% menor que a passada. Apesar disso, os produtores da região se preparam para um queda ainda maior.
O presidente da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), Maurício Miarelli, acredita em uma diminuição de 35%. O estoque na Cocapec é o menor desde o início das atividades. O galpão vazio tem agora outras funções, como espaço para encontros. No ano passado, a cooperativa recebeu 900 mil sacas para serem vendidas quando o preço estivesse melhor e, agora, restam apenas 270 mil. Os cooperados preferiram gerar capital de giro, já que o valor pago pelo produto não subiu.
Há 80 anos, a família do produtor de café Galileu Macedo vive da cafeicultura em Franca. Ele lembra da época de grande impulso na produção, mas, há pelo menos cinco anos, não faz investimentos. A área plantada se mantém em 95 hectares.
Os produtores querem que o governo federal compre café para fazer um estoque e regularizar o mercado.
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